Nicarágua elege novo presidente amanhã
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sexta-feira, 03 de novembro de 2006
Ana Fernández<br> France Presse 
Manágua - O candidato da Frente Sandinista, Daniel Ortega, jogará todas as suas cartas na eleição presidencial amanhã, na Nicarágua, que reavivou o clima da Guerra Fria na região.
Nem a divisão da direita em dois grandes grupos, nem a cisão da Frente, agrupada no Movimento de Renovação Sandinista (MRS) tornam previsível um resultado amanhã, admite o ex-chanceler Emilio Alvarez. No entanto, Ortega tem mais cartas para vencer do que qualquer adversário, segundo Alvarez, que aposta numa participação em massa nestas eleições.
Carlos Tunermann, ex-embaixador da Nicarágua ante a OEA, destaca, no entanto, a forte rejeição que o líder sandinista junto à população nicaraguense, e por isso acha que ''pode funcionar o voto útil, forçando um segundo turno''.
Neste caso, não há nenhuma dúvida de que o líder sandinista fracassará em sua quarta tentativa de voltar à presidência que perdeu nas urnas, em 1990. Para vencer o primeiro turno o candidato mais votado terá de obter um mínimo de 35% dos votos e uma diferença de 5% em relação ao segundo.
Nas últimas pesquisas, feitas nas três primeiras semanas de outubro, Ortega aparece em primeiro lugar (31-34%), seguido pelo líder da Aliança Liberal Nicaraguense (ALN, direita), Eduardo Montealegre (22-25,5%); José Rizo, do Partido Liberal Constitucionalista (PLC, com 19%); Edmundo Jarquín (10%), e, muito atrás, Edén Pastora, o ex-Comandante Zero, com menos de 1%.
Mas o que se percebe nesta eleição é que ela transformou o país numa nova batalha de influências entre os Estados Unidos e a Venezuela. ''A figura de Daniel Ortega alarma e gera paixão de muitas gente em Washington'', assegurou Michael Shifter, vice-presidente do Diálogo Interamericano, para quem ''o fato de uma volta do líder sandinista ao poder é algo muito difícil de aceitar para muitas funcionários americanos''.


