New Yorker cria polêmica com caricatura de Obama
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segunda-feira, 14 de julho de 2008
Folhapress 
São Paulo- A influente revista americana ''New Yorker'' está causando polêmica mesmo antes de chegar às bancas. A edição que será distribuída no dia 21 traz na capa uma caricatura do provável candidato democrata Barack Obama com um turbante cumprimentando sua mulher, Michelle, vestida com uma roupa militar e carregando uma arma.
Conhecida por seus artigos críticos e sátiras, a revista desenhou Obama e Michelle à frente de uma lareira onde queima uma bandeira americana, fazendo o mesmo gesto que fizeram quando o democrata garantiu a nomeação partidária. Obama, questionado ontem sobre a publicação, foi cauteloso ao dizer apenas ''não tenho resposta para isso''.
Um porta-voz de sua campanha criticou o desenho. ''A ''New Yorker'' pode pensar, como um de seus funcionários explicou para nós, que sua capa é uma sátira da imagem que os críticos de direita do senador Obama tentaram criar'', disse Bill Burton. ''Mas a maioria dos leitores vê como ofensiva e sem graça e nós concordamos'', completou, citado pelo jornal ''The New York Times''.
Embora já tenha dito inúmeras vezes que é cristão convertido, o boato de que Obama seria muçulmano -alimentado pelo fato de seu pai ter sido muçulmano- ainda é forte na internet. Uma pesquisa recente pediu os eleitores que dissessem a primeira palavra que viesse a mente ao pensar em Barack Obama e 3% disseram muçulmano.
A equipe de Obama preocupa-se que a caricatura de Obama alimente ainda mais este boato e, como a religião é fortemente associada pelos americanos com a al Qaeda e os ataques de 11 de Setembro, afete seu apelo entre eleitores mais conservadores.
A reportagem da ''New Yorker'' é intitulada ''The Politics of Fear'' (''A Política do Medo'') e, segundo um comunicado enviado para promover a revista, usa a caricatura de Obama e Michelle para ''satirizar o uso das táticas do medo e da informação errada na campanha presidencial para afetar a campanha de Barack Obama''.
David Remnick, editor da revista, deu uma entrevista ao ''The Huffington Post'' na qual defendeu sua escolha para a capa. ''Obviamente eu não escolheria uma capa somente para chamar a atenção, eu escolhi porque tem algo a dizer. O que eu acho que ela faz é um espelho do preconceito e imagens negativas sobre o passado e a política de Barack Obama -de ambos os Obama'', disse.


