Neve dificulta busca de corpos
Os dois alpinistas brasileiros sobreviventes do acidente da terça-feira passada no pico do Aconcágua, na Argentina, adiaram seu retorno ao Brasil para tentar confirmar visualmente a localização dos corpos dos alpinistas mortos. Três do grupo de cinco pessoas morreram quando foram arrastados por duas avalanches de neve. Os sobreviventes são Dalio Zippin Neto, de 30 anos, um experiente guia de montanha, e Ronaldo Franzen Junior, de 32 anos, empresário do setor de marmorarias. Ambos os alpinistas são de Curitiba.
Os brasileiros mortos na tragédia são o comandante da expedição, Mozart Hastenreiter, de 35 anos, Alexandre da Silva Oliveira, de 24 anos e Othon Leonardos, de 24. Hastenreiter foi o primeiro brasileiro a escalar o Aconcágua, o pico mais alto do continente, com 6.900 metros de altura.
Zippin, filho de uma tradicional família curitibana, disse ontem que ele e seu colega Franzen Junior ainda não sabem quando retornarão ao Brasil: Voltaremos a Plaza Francia, uma base na montanha, e tentaremos vasculhar a parede sul do pico (onde ocorreu o acidente) com binóculos para confirmar a localização dos corpos. Segundo Zippin, logo depois do acidente, durante todo o dia, tentaram encontrar os corpos visualmente, mas os binóculos que possuíam não eram potentes suficientes para a tarefa.
Sereno apesar da tragédia, Zippin declarou que possui experiência de observação à distância desde 1974, e considera que viu um corpo pendurado de uma corda com os braços abertos: Mas existe a questão da luz solar irregular nessa hora, e ter certeza que há uma pessoa pendurada lá implica em uma segunda observação.
Segundo o alpinista, não há chances de resgatar nem esse, nem os outros corpos, já que não há pessoa no mundo que se arrisque a subir lá para resgatá-los. Zippin considera que o problema não é subir até lá, pois aqui existe diversos argentinos mais do que capazes disso, mas carregar 80 kgs de um corpo nessa condições, não há forma.
O alpinista curitibano considerou que a utilização de um helicóptero facilitaria a observação, mas isso implicaria em um complexo trâmite da embaixada brasileira com o exército argentino. De qualquer forma, admite Zippin, mesmo com um helicóptero seria impossível resgatar os corpos, já que o aparelho não teria onde pousar.
Zeppin afirmou que ele e Franzen estão bem, já que no momento do avalanche estavam no acampamento base, onde as avalanches são pouco frequentes. Ele afirmou que seu retorno e de seu colega ao Brasil também poderá ser adiado pela vinda da família de Othon Leonardos, que pretendiam ver o lugar da tragédia: Se eles confirmarem isso, ficaremos alguns dias mais, disse Zippin. O retorno dos dois alpinistas será por via terrestre, com seu jipe, através das cidades de Mendoza, Córdoba, entrando no Brasil através de Foz de Iguaçu, até Curitiba.





