Netanyahu obtém vitória e sobrevida no Parlamento
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terça-feira, 06 de janeiro de 1998
AE-Reuters Jerusalém 
France PresseOposiçãoO demissionário Levy (E) conversa com Netanyahu durante votaçãoContornando momentaneamente a crise política causada pela renúncia no domingo do chanceler Davi Levy, o primeiro-ministro israelense Benjamin Bibi Netanyahu conseguiu aprovar ontem no Knesset (Parlamento) o orçamento do país para este ano por estreita margem de votos: 58 a 52 e uma abstenção (de um rebelde do Likud, de Netanyahu).
Os cinco deputados do partido Gesher (de Levy), que rompeu com a coalizão governamental, votaram contra o governo pela primeira vez desde junho de 1996, quando Netanyahu tomou posse.
Já cantaram minha saída pelo menos 18 vezes nos últimos 18 meses, contudo estamos aqui, reagiu Netanyahu com um largo sorriso e acenando para seus correligionários. Não creio em eleições antecipadas, pois este governo, esta coalizão, e este primeiro-ministro não funcionam com base na matemática. No plenário, o primeiro-ministro sentou-se ao lado de Levy. Os dois trocaram apertos de mão e algumas palavras durante o processo de votação.
Os analistas políticos dão poucas chances de sobrevivência ao governo sem o apoio do chanceler demissionário, cuja renúncia, pela legislação, israelense passa a vigorar oficialmente a partir de amanhã.
No projeto orçamentário, constava uma dotação de US$ 100 milhões para programas sociais a serem desenvolvidos entre as populações carentes de Israel. Essa era uma exigência de Levy, que deixou o governo acusando-o de favorecer os assentamentos de judeus em detrimento dos pobres e desempregados.
Analistas políticos acham que o governo de Netanyahu terá difíceis obstáculos pela frente. O mais importante deles é a questão da retirada parcial de tropas de áreas rurais da Cisjordânia. Nesse âmbito, o primeiro-ministro está diante de um dilema: se aprova um cronograma de retirada (exigido pelo presidente Bill Clinton, com quem Netanyahu reúne-se no dia 20) irrita os falcões da extrema direita religiosa; se veta a retirada perde o apoio dos ministros moderados. Nos dois casos, corre o risco perder a maioria simples no Knesset.
Os analistas acham que, com a demissão de Levy, Netanyahu tornou-se refém da extrema direita. O líder palestino Yasser Arafat já lançou uma advertência: a crise israelense não é assunto palestino, mas o premier não deve sacrificar o processo de paz para satisfazer os radicais. Dentro desse quadro, chega amanhã à região o mediador dos EUA Dennis Ross, encarregado de retirar o processo de paz da estagnação.


