Jerusalém - Confirmando as previsões, o partido do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu foi o mais votado nas eleições de ontem e deve formar o novo governo de Israel, indicam as pesquisas de boca de urna.
A grande surpresa nas primeiras projeções é um partido de centro recém-criado, comandado por uma celebridade da TV, que aparece como a segunda força política.
Criado há menos de um ano pelo carismático jornalista e apresentador Yair Lapid, o partido Yesh Atid (Há Futuro) teria entre 18 e 19 deputados, ficando com uma bancada menor apenas que a Likud-Beitenu, coalizão que dá apoio a Netanyahu.
Se a boca de urna estiver certa, o triunfo de Lapid significa a opção de um governo mais moderado sob a liderança do premiê, sem a influência dominante dos partidos de extrema direita.
Também indica um Parlamento mais equilibrado, com a redução da vantagem do bloco de direita. No atual Legislativo, a direita tem 65 deputados, contra 55 da centro-esquerda. Já as primeiras projeções mostram um quase empate, com pequena diferença a favor da direita.
Por ironia, o partido mais votado foi um dos que mais perderam. A aliança entre o Likud de Netanyahu e o partido ultraconservador Israel Beitenu (Israel, Minha Casa) caiu de 42 cadeiras no atual Parlamento para 31, sempre segundo as projeções.
Logo após o anúncio, o ministro da Educação e chefe da campanha governista, Gideon Saar, tentou minimizar o golpe e recomendou esperar os resultados oficiais, que deveriam sair provavelmente de madrugada, após o fechamento desta edição. Mas enfatizou que Netanyahu foi reeleito e pode formar um governo com seus aliados naturais da direita. "É importante deixar claro que a direita continua como o maior bloco", disse Saar.
De acordo com o sistema eleitoral israelense, o partido capaz de compor uma coalizão, geralmente o mais votado, é incumbido de formar o governo - por isso a importância dos blocos. No entanto, a surpreendente votação do partido centrista de Lapid pode mudar o panorama.
"É possível formar uma maioria de centro-esquerda com um dos partidos da direita para impedir a reeleição de Netanyahu", disse Yitzhak Herzog, um dos líderes do Partido Trabalhista, que ficou em terceiro na boca de urna, com 17 deputados.
O desafio do premiê será conciliar a agenda do apresentador, centrada no fim da isenção do serviço militar para judeus ultraortodoxos, com a de partidos religiosos como o Shas, contrário à ideia.

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