Netanyahu cita paz e pactua expansão de colônia
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quarta-feira, 25 de março de 2009
Folhapress 
São Paulo - Um dia depois de atrair o Partido Trabalhista e selar a maioria parlamentar necessária para governar Israel, o linha-dura Binyamin Netanyahu, afirmou que irá negociar a paz com a Autoridade Nacional Palestina. Em contraste com a declaração, foi divulgado ontem que ele firmou um acordo secreto para expandir um assentamento israelense num setor estratégico da Cisjordânia.
Os sinais contraditórios refletem a tentativa do líder do Likud (direita) de contemplar agendas de seus principais aliados, na medida em que se prepara para assumir o posto de premiê na próxima semana.
Enquanto o compromisso firmado para contar com o respaldo dos trabalhistas prevê respeito aos acordos de paz firmados anteriormente por Israel, a expansão da colônia é uma das bandeiras do ultradireitista Israel Beitenu.
Em uma conferência sobre economia, Netanyahu afirmou que a paz é uma meta comum de todos israelenses e seus governos, o que significa que eu negociarei com a Autoridade Palestina pela paz.
A seguir, ele voltou a defender a tese de obtenção da paz por meio do desenvolvimento da economia palestina -ideia defendida durante a campanha eleitoral, como contraponto ao tradicional conceito de concessões territoriais, que pautou as tratativas pela paz desde os Acordos de Oslo (1993).
Mais tarde, a rádio do Exército israelense noticiou que Netanyahu concluiu com o líder do Israel Beitenu, Avigdor Liberman, um acordo -verbal e secreto, para não irritar Washington- para expandir assentamentos numa área vizinha de Jerusalém Oriental (árabe).
Conhecida por setor E1, a área de 12 km2, seria incorporada ao município de Maale Adumim, a segunda maior cidade israelense na Cisjordânia, com 33 mil habitantes.
Seu prefeito desde 1992, Benny Kashriel, é um antigo quadro do Likud e ontem afirmou ter recebido de Liberman a garantia de que o Israel Beitenu fará o que for necessário para viabilizar as moradias.
Atualmente congelados, os planos de expansão preveem a construção de 3.500 residências (para 15 mil habitantes), um complexo comercial e a transferência da sede da polícia da região para o E1.


