O grupo Nestlé, um dos maiores do setor alimentício do mundo, declarou ontem que está pagando cerca de US$ 14,6 milhões por um acordo feito entre os dois maiores bancos suíços, sobreviventes do holocausto e organizações judaicas, para cobrir possíveis ações judiciais sobre a utilização de trabalho escravo em suas empresas durante a Segunda Guerra Mundial.
A Nestlé admitiu que algumas corporações ligadas ao grupo utilizaram judeus em regime de trabalho forçado em suas unidades.
As empresas do grupo em operação na Alemanha e na Áustria farão contribuições voluntárias para as fundações desses países para compensar o trabalho escravo. O grupo Nestlé já havia declarado anteriormente que, em 1947, havia adquirido uma empresa que tinha utilizado trabalho escravo.
O grupo vai contribuir para um acordo envolvendo US$ 1,25 bilhão, feito pelos dois maiores bancos suíços, o Credit Suisse e UBS AG, em 1998. O Credit Suisse e o UBS AG realizaram um acordo extrajudicial em agosto de 1998 após forte pressão das organizações contra os bancos, empresas e o próprio governo suíço.
Quando o juiz distrital dos Estados Unidos Edward Korman aprovou um acordo, no dia 26 de julho passado, foi determinado que as entidades suíças que ainda possuíam pendências com relação a trabalho escravo, durante a 2ª Guerra teriam 30 dias para assumirem suas posições. A maior organização patronal da Suíça encorajou as empresas nessa situação a assumirem sua responsabilidade.
O grupo Nestlé fez questão de enfatizar que em muitos casos não possuía as empresas implicadas durante o período em que ocorreu a utilização desse tipo de mão-de-obra, mas de qualquer forma, como sucessora legal dessas corporações, aceitaria a responsabilidade moral de ‘‘ajudar a aliviar o sofrimento humano causado’’.

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