São Paulo - Uma manifestação neonazista em Berlim, na Alemanha, foi interrompida por milhares de manifestantes antifascistas ontem, durante as celebrações da vitória das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) sobre os nazistas. A polícia de Berlim afirmou que 6 mil manifestantes bloquearam o caminho de 3.300 membros do Partido Democrático Nacional, que protestavam ontem contra o ''culto da culpa alemão''.
Na tentativa de prevenir a violência entre os dois grupos, autoridades primeiro ordenaram que os membros do partido ficassem na praça Alexanderplatz, atrás da polícia. Usando alto-falantes, os líderes da manifestação gritavam que o fim da guerra não foi ''o dia da libertação'', como consideram alguns alemães. ''Esse não foi um dia da libertação, mas um dia de derrota para a Alemanha, e não há nada para ser celebrado'', afirmou o líder do partido, Udo Voigt. Os extremistas, de cabeça raspada e roupas negras, tiveram que passar por revista policial.
''Vários alemães estão cansados de ouvir que esse foi o dia da libertação'', disse Voigt, que chamou os antifascistas de ''intolerantes'', afirmando que ''quase todo alemão tem um familiar que foi morto na guerra. Estamos aqui fazendo luto pelos milhões mortos''. Os antifascistas, por sua vez, repetiam a palavra ''Spasibo'', (obrigado, em russo). Alguns traziam cartazes onde era possível ler ''Fascismo nunca mais'' e ''Guerra nunca mais''.
Os neonazistas quiseram continuar a manifestação em frente ao Portão Brandeburgo, símbolo da unificação, mas foram proibidos pelo governo da cidade, que liberou uma rota que passava perto do local.
Em um pronunciamento do Parlamento, o presidente Horst Köhler afirmou que a maioria dos alemães ficaram ''aliviados'' com o fim da guerra. ''Infelizmente, ainda há incorrigíveis entre nós que querem voltar ao racismo e ao extremismo'', afirmou. ''Mas eles não terão chance. A grande maioria dos alemães contribui para que nossa democracia permaneça vigilante''. Köhler também afirmou que os ''nazistas destruíram a honra alemã''. ''Sentimos desgosto por aqueles culpados por esses crimes contra a humanidade que desonraram o país'', disse.

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