Noventa por cento dos 180 mil negros que residem no Uruguai - 5,76% da população total - vivem no limite da linha de pobreza, revelou um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a organização não governamental Mundo Afro.
De forma coincidente, uma análise do Departamento de Estado norte-americano sobre a situação dos direitos humanos no Uruguai durante 1997 revelou que somente 65 uruguaios negros completaram estudos terciários e menos de 50 possuem título universitário.
‘‘Os negros não estão praticamente representados nos setores políticos, burocráticos e acadêmicos da sociedade. Faltam-lhe as conexões políticas e sociais para ingressar nestes setores’’, segundo o Governo dos EUA.
O informe de Washington chamou a atenção das autoridades uruguaias, que em uma primeira instância negaram existência de discriminação contra os negros.
Entretanto, o chanceler Didier Opertti anunciou que o Uruguai apresentará este ano um informe ao Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial (CEDR), onde seriam inseridos dados obtidos em uma recente pesquisa familiar, numa resposta oficial aos Estados Unidos, a que teve acesso a AFP.
Segundo a pesquisa do PNUD, 90% dos negros uruguaios trabalham no setor de serviços. Os homens são empregados principalmente como porteiros, garis ou soldados do exército ou vivem no campo como peões (vaqueiros).
A ampla maioria das mulheres (mais de 50%) trabalha como empregadas domésticas e um alto percentual exerce a prostituição, concluiu um estudo sobre ‘‘A situação social e econômica da mulher afro-uruguaia’’, ainda não publicado, realizado também pelo PNUD e Mundo Afro.

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