De bonecas a livros, passando pelos objetos de coleção e visitas guiadas: a morte de Diana, ocorrida há quase um ano, a 31 de agosto, inspirou um comércio próspero através do mundo, que o Fundo criado por seus familiares tenta canalizar com mais ou menos sucesso e polêmica.
Criado quatro dias depois da morte de Lady Di, a ‘‘Diana, Princess of Wales Memorial Fund’’ (Fundação Diana Princesa de Gales) arrecadou desde então 83 milhões de libras (133 milhões de dólares) em doações.
Mas se somadas às atividades não controladas pelo Fundo, o ‘‘Diana Business’’ se aproxima, segundo certas estimativas, dos 200 milhões de libras (324 milhões de dólares). A mais importante contribuição ao Fundo Diana foi feita pelo cantor Elton John, cujo sucesso em escala planetária ‘‘Candle in the Wind’’ (Uma vela ao vento), interpretado durante os funerais de Diana, representou uma arrecadação de 30 milhões de libras (48,3 milhões de dólares).
Além das doações, o Fundo recebe royalties pela venda de sete objetos comemorativos que têm o privilégio da assinatura da princesa, como um urso de pelúcia, um candeeiro de cristal ou um par de caixas laqueadas. As vendas de um disco em homenagem à princesa Diana permitiram arrecadar 13,6 milhões de libras, e os serviços de Correios britânicos doaram cerca de 10 milhões de libras pela venda de selos comemorativos. ‘‘Vamos autorizar muitas outras iniciativas’’, afirmou a porta-voz do Fundo, Vanessa Corringham.
O exercício tem, contudo, algum risco, como demonstrou o escândalo dos potes de margarina e os cartões da loteria instantânea, sobre os quais aparecia a imagem da princesa, que tiveram de ser retirados do mercado às pressas. O próprio irmão de Diana, Charles Spencer, que participava no coro de protestos da imprensa contra essas torpes iniciativas, aconselhou ao Fundo distribuir seu dinheiro e suspender suas atividades o quanto antes.
Charles Spencer, contudo, não parece limpo da poeira, depois que instalou um museu na propriedade familiar, onde estão os restos da princesa. O conde impôs um ingresso de 9,50 libras (15 dólares) a 150 mil visitantes, o que representou uma renda de 2,25 milhões de dólares. Desse total, por enquanto somente um ‘‘mínimo de 10 por cento’’ irá certamente para obras de caridade.
Apesar das críticas, o Fundo Diana afirma sua intenção de continuar com suas ações. Atualmente, garante, aplica critérios mais estritos e recusa centenas de propostas. O Fundo doou 13 milhões de libras para obras de caridade em março e espera distribuir entre 4 e 5 milhões de libras anualmente a partir dos juros de seu capital e dos royalties. Em outras partes, as idéias são mais macabras. Em Paris, cenário do trágico acidente, um hotel propõe o mortal itinerário de Diana e Dodi al Fayed em um Mercedes negro, por 150 francos (25 dólares).
Sobrevivente Único sobrevivente do acidente automobilístico de 31 de agosto de 1997 em Paris que causou a morte da princesa Diana, do namorado dela, Dodi al-Fayed, e do motorista Henri Paul, o ex-guarda-costas dos Al-Fayeds Trevor Rees-Jones pediu à imprensa britânica respeito à privacidade das famílias das vítimas. ‘‘Deixem que eles lembrem o primeiro aniversário daquele trágico acontecimento como desejarem’’, disse Rees-Jones em sua primeira entrevista à televisão britânica desde que, há seis meses, se recuperou dos ferimentos recebidos.
Visivelmente nervoso e assessorado por seu advogado, o ex-guarda-costas disse confiar na Justiça francesa, que investiga as causas do acidente. ‘‘Estou sempre disposto a colaborar com o juiz francês, mas já disse a ele tudo o que sabia’’, destacou Rees-Jones, que perdeu parte da memória e sofreu graves ferimentos no rosto. Ele foi submetido a várias cirurgias para recomposição da face e já não trabalha mais para o pai de Dodi.Arquivo/FolhaMitoUm ano após sua morte, a princesa Diana ainda é lembrada e seu nome movimenta muitos e lucrativos negóciosMarie Hospital
France Presse

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