O enviado especial norte-americano para o Oriente Médio, William Burns, manteve ontem pela manhã um segundo encontro com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, em Ramallah, na Cisjordânia, e no fim do dia voltou a reunir-se em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, sem que aparentemente houvesse conseguido avanços significativos. Israel quer retomar as conversações com os palestinos somente no âmbito da cooperação na área de segurança enquanto os dirigentes da AP buscam a inclusão da questão política no diálogo. Sharon insiste em só retomar o processo de paz depois que cessarem os conflitos.
Apesar das divergências, o chanceler de Israel, Shimon Peres, disse à TV local esperar que o diálogo no campo da segurança seja retomado hoje à noite.
O relatório Mitchel exortou as duas partes a interromperem a violência e a tomar uma série de medidas visando restabelecer a confiança mútua, entre as quais o congelamento das construções nos assentamentos judeus na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e Jerusalém Ocidental, territórios ocupados por Israel em 1967, e ações da AP para impedir ataques a alvos israelenses.
O negociador palestino Saeb Erekat disse à imprensa que Arafat mostrou a Burns um mapa de 18 novas colônias judaicas erguidas nos territócios ocupados desde a chegada de Sharon ao poder, em março. No entanto, no encontro que manteve domingo com Burns, Sharon disse que Israel aceitou e está adotando as determinações da comissão.
Ontem, o menino palestino Mohammed Aou Samhadana, de 7 anos, foi ferido numa perna por disparos de um fuzil M-16 de soldados israelenses contra o povoado de Morag, no sul da Faixa de Gaza. Segundo a AP, blindados e buldôzeres israelenses adentraram cerca de 200 metros num setor autônomo palestino a leste da cidade de Gaza e arrancaram oliveiras e destruíram plantações.

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