Negociações sobre programa nuclear do Irã são prorrogadas
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terça-feira, 25 de novembro de 2014
France Presse 
Viena - Após uma semana de intensas negociações, as grandes potências e o Irã não conseguiram chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano e estenderam até 30 de junho o prazo para a conclusão de uma decisão final. "Não foi possível obter um acordo na data limite de segunda-feira, e por isso o prazo será estendido até 30 de junho de 2015", declarou nesta segunda-feira em Viena o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond.
Apesar do fracasso, este resultado mantém as chances de diálogo. Neste sentido, o presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou que as negociações sobre o programa nuclear de seu país com as grandes potências levarão a um acordo final. "As discussões permitiram resolver a maioria das diferenças", declarou à televisão estatal, considerando que "este caminho levará a um acordo final".
Por sua vez, o secretário de Estado americano, John Kerry, defendeu a prorrogação do prazo para a obtenção de um acordo final, indicando "progressos reais e substanciais" durante a última rodada de negociações. "Nós fizemos progressos reais", garantiu Kerry em Viena. "Este não é o momento de se levantar e sair", considerou o chanceler, que pediu ao Congresso dos Estados Unidos apoio às negociações e para que não imponha novas sanções ao Irã. "Essas discussões não serão mais fáceis simplesmente porque nós as prorrogamos. São difíceis e continuarão a ser difíceis", disse o chefe da diplomacia americana.
As negociações entre a República Islâmica e as grandes potências do 5+1 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) prosseguirão segundo os termos do acordo interino assinado em Genebra em novembro de 2013, segundo Philip Hammond.
O ministro britânico destacou que o Irã seguirá sendo beneficiado com o desbloqueio de 700 milhões de dólares por mês de seus ativos enquanto as negociações forem mantidas.
O anúncio da prorrogação foi feito no momento em que o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, e seus colegas do 5+1 - o americano John Kerry, o chinês Wang Yi, o francês Laurent Fabius, o britânico Philip Hammond, o russo Serguei Lavrov e o alemão Frank-Walter Steinmeier - estavam reunidos pela primeira vez desde o início deste último ciclo de negociações, que começou em 18 de novembro.
Isso significa que uma solução política total ainda não foi encontrada nesta questão, alvo de fortes tensões há 12 anos entre o Irã e as grandes potências.
Estas exigem que o Irã reduza sua capacidade nuclear para afastar qualquer provável uso militar. Teerã, por sua vez, afirma com veemência que seu programa nuclear é estritamente pacífico e reivindica seu direito a instalações nucleares civis completas e ainda exige a retirada das sanções ocidentais que asfixiam a economia do país.
Sete dias de negociações ininterruptas não permitiram aproximar totalmente as posições sobre o enriquecimento de urânio por parte do Irã e das sanções ocidentais contra Teerã, os dois pontos-chave para uma solução política. Durante o fim de semana já se especulava sobre uma eventual prolongação das discussões.


