Negociações serão retomadas no domingo
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quinta-feira, 27 de julho de 2000
France Presse De Jerusalém 
Israelenses e palestinos vão se reunir no próximo domingo para reiniciar suas negociações de paz, cinco dias depois do fracasso da cúpula de Camp David, anunciaram ontem dirigentes de ambas as partes.
Entendi (que) Oded Eran e Saeb Erakat se reunirão no domingo para analisar diversas questões, indicou à rádio israelense o advogado Gilad Sher, colaborador próximo do primeiro-ministro israelense Ehud Barak.
Eran, diplomata israelense, e Erakat, chefe dos negociadores palestinos, participaram nas negociações de Camp David. Antes desta última reunião, os dois já haviam negociado as condições de aplicação dos acordos interinos de autonomia e, em particular, sobre a terceira e última retirada israelense da Cisjordânia, prevista nos acordos de Oslo (1993) e que deveria ter acontecido no final de junho passado. Além disso, negociaram a abertura de uma segunda passagem entre Gaza e o norte da Cisjordânia, e a libertação de presos palestinos.
Sher não precisou ontem se estas questões estarão na ordem do dia das discussões previstas para domingo.
Em Gaza, um responsável palestino que pediu para não ser identificado confirmou que israelenses e palestinos vão se reunir no domingo.
Sher fez um balanço positivo de Camp David, enfatizando que foram obtidos importantes progressos quanto à questão dos refugiados palestinos e elogiou o fato de palestinos e americanos terem aceito o princípio da manutenção do bloqueio de colônias judias na Cisjordânia.
Isso significa que os palestinos renunciaram à exigência de uma retirada israelense até as linhas de 4 de junho de 1967 (anteriores à guerra dos Seis Dias) e que os americanos reconhecem a existência de colônias até agora classificadas de obstáculos para a paz, estimou.
O presidente da comissão de Relações Exteriores e da Defesa da Knesset (parlamento israelense), Dan Meridor, que também participou em Camp David, considerou o fato dos palestinos terem dado luz verde à manutenção do bloqueio das colônias uma vitória para os colonos.
O presidente palestino, Yasser Arafat, afirmou ontem ante centenas de simpatizantes que toda a parte oriental de Jerusalém será a capital do futuro estado palestino.
Queremos toda Jerusalém oriental, não apenas a mesquita de Al Aqsa, o Santo Sepulcro ou o bairro armênio, declarou Arafat durante uma manifestação que reuniu 2 mil pessoas em Ramalá, norte da Cisjordânia.
Durante a cúpula israelense-palestina de Camp David, Israel propôs que os bairros árabes de Jerusalém passem para controle palestino e soberania palestina, exceto a cidade velha, onde seria instaurado um regime especial de autonomia, mas os palestinos recusaram a proposta, disse a rádio israelense.
Em breve, um menino palestino, içará a bandeira palestina em Jerusalém, acrescentou Arafat durante a manifestação, organizada para saudar a negativa dos negociadores palestinos de fazer concessões sobre a Cidade Santa, na cúpula de Camp David.
Em Washington tirei a força de seu apoio, afirmou Arafat, provocando aplausos da multidão que lhe respondeu estaremos com você até a libertação.


