Negociações podem levar a um acordo
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quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Paulo Sotero 
Agência Estado
Kyoto, Japão
Um plano de redução média de 5% das emissões dos gases do efeito estufa pelos países industrializados entre os anos 2006 e 2010, com metas diferenciadas entre eles, abriu ontem o caminho para o primeiro acordo internacional sobre regulamentação do uso de combustíveis fósseis na conferência da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática.
O encontro, que termina hoje depois de dez dias de negociações arrastadas entre representantes dos 166 países signatários da convenção adotada durante a Eco-92, no Rio de Janeiro, deve aprovar também a criação, no futuro, de um Fundo de Desenvolvimento Limpo proposto pelo Brasil, para facilitar a transferência de tecnologias aos países em desenvolvimento e permitir que eles cresçam sem repetir o padrão de uso de derivados de petróleo e de carvão dos países industrializados.
Apesar do avanço nas conversações, os negociadores continuaram divididos sobre vários pontos cruciais do documento. Um deles são os critérios de cálculo das emissões. Outro é a definição de uma participação significativa das nações em desenvolvimento no controle das emissões dos gases, no futuro. Um terceiro é a inclusão no documento de um artigo, oferecido pela Argentina, que abriria a porta para os países pobres assumirem voluntariamente metas numéricas de limitação de suas emissões.
Um painel intergovernamental de 2500 cientistas, que preparou os trabalhos técnicos da reunião, concluiu que a acumulação dos gases na atmosfera está aquecendo perigosamente a temperatura na superfície da Terra e alterando o clima do planeta.
A solução de compromisso começou a ser alinhavada em Kyoto depois que o vice-presidente dos EUA, Albert Gore Jr., anunciou a disposição de Washington de mostrar maior flexibilidade nas negociações e propor um corte em suas emissões, em lugar de sua mera estabilização aos níveis de 1990 entre os anos 2008 e 2012. Pelo plano que está sobre a mesa, os EUA reduzirão suas emissões em 5% entre 2006 e 2010, o Japão 4,5% e a Europa, 8%.
O plano foi criticado ontem com igual veemência pelos lobbies ambiental e empresarial, por razões exatamente opostas. William OKeefe, que preside a Global Climate Coalition, uma organização financiada pela indústria do petróleo com o objetivo de influir nas decisões em Kyoto, exortou a delegação americana a abandonar as negociações e voltar para Washington. Segundo OKeefe, uma redução das emissões de gases nos EUA entre 2% e 5% reduziria pela metade a taxa de crescimento da economia americana.
Cinco organizações ambientalistas, por sua vez, classificaram o texto em discussão como um jogo de espelhos, que não resultará na realização do principal objetivo da convenção, ou seja, a redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa. William Hare, o presidente da Greenpeace, previu que o acordo produzirá um aumento de até 15% das emissões.


