Negociacões não avançam
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quarta-feira, 11 de outubro de 2000
France Presse De Jerusalém 
A violência recomeçou ontem à tarde depois de uma jornada mais tranquila nos territórios palestinos, mas com três novos mortos, enquanto o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, realizava várias entrevistas, separadamente, com israelenses e palestinos.
Annan transferiu para hoje a visita prevista ao Líbano, para se concentrar na situação nos territórios e tentar obter um acordo que ponha fim à violência.
Durante este tempo, um manifestante palestino de 18 anos foi morto com um tiro de soldados israelenses em Gaza, durante enfrentamentos junto à colônia judaica de Gush Katif, um dos locais onde começou a revolta palestina, a 28 de setembro.
Outro palestino de 17 anos de idade foi morto pelo exército israelense na cidade autônoma de Tulkarem, norte da Cisjordânia e um terceiro palestino de 22 anos foi morto à noite também por soldados israelenses em Nablus, norte da Cisjordânia.
Com estas mortes chega a 102 o número de vítimas fatais em 14 dias de enfrentamentos (85 palestinos, 12 árabes-israelenses, 4 israelenses judeus e um soldado druso do exército israelense). As violências também provocaram 3 mil feridos.
Este recomeço da violência acontece no momento em que o secretário-geral da Fatah (principal componente da OLP) na Cisjordânia, Marwan Barghuthi, disse em Ramallah, Cisjordânia, que recebeu instruções do presidente palestino Yasser Arafat de evitar os enfrentamentos com o exército israelense.
Arafat me instruiu para evitar confrontos e proteger a vida da população, mas não nos pediu para por fim a Intifada, disse Barghuti.
Em vez de ir a Beirute como tinha previsto, Annan se reuniu pela segunda vez com o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, para depois voltar a Gaza, para uma terceira reunião em três dias com Arafat. Depois voltou a Jerusalém, mas a presidência do Conselho israelense disse que não sabia se Barak voltaria a se reunir com Annan.
Está sendo uma correria. A idéia é chegar a uma fórmula para que as duas partes se acalmem, disse em Gaza ontem o porta-voz da ONU, Fred Eckhard. Uma vez (que) a calma seja restabelecida, poderemos tentar reativar o processo de paz, acrescentou.
Perguntado sobre uma possível reunião de cúpula entre Annan e os dirigentes israelenses e palestinos, o porta-voz da ONU afirmou que a hipótese de uma reunião desse tipo foi levantada, mas precisamos esperar para saber quem mais chegará à região.
O presidente americano, Bill Clinton, se mostrou ontem em Washington reticente a viajar ao Oriente Médio num contexto de violência, apesar de seu desejo de que seja reativado o pocesso de paz que incentivou pessoalmente.
Perguntado pela imprensa sobre uma possível cúpula ou viagem à região, Clinton não esclareceu muito, e afirmou que a secretária de estado, Madeleine Albright, e eu mesmo poderíamos ir. (...) Poderíamos ir os dois ao mesmo tempo, acrescentou.
Albright por sua vez lembrou, por telefone, com o ministro israelense interino das relações exteriores, Shlomo Ben Ami, algumas idéias em relação a uma cúpula israelense-palestina, segundo uma fonte oficiail.
Os dois responsáveis discutiram sobre os meios diplomáticos para resolver a crise, assim como idéias em relação a uma cúpula entre Arafat e Barak, disse um porta-voz do ministério das relações exteriores.
Por sua vez, o secretário britânico do Foreign Office, Robin Cook, chegou ontem à região, pouco depois da partida de seu colega russo, Igor Ivanov de Damasco rumo a Chipre, e enquanto o Alto Representante da diplomacia da União Européia (UE) Javier Solana viajava de Beirute a Amã.
Cook se reuniu em Tel Aviv com Ben Ami, e depois com Barak em Jerusalém. Prevê reunir-se em Gaza com Arafat.
Os palestinos descartaram a realização de uma cúpula israelense-palestina patrocinada pelos Estados Unidos e Egito se não conseguirem a criação de uma comissão investigadora sobre as violências. Israel recusa a criação de tal comissão.
Não é preciso organizar uma cúpula tripartite ou quadripartite antes da criação de uma comissão internacional de investigação, declarou o ministro palestino da Informação, Yasser Abed Rabbo. A revolta palestina continuará com atividades pacíficas, disse Barghuthi.
Horas mais tarde, um violento enfrentamento explodia em Ramallah entre soldados israelenses e manifestantes palestinos, deixando 24 feridos entre estes últimos.


