Negociações em Lima provocam otimismo
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terça-feira, 31 de dezembro de 1996
Pablo Pereira Enviado especial da Agência Estado 
LIMA - As negociações entre o líder do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), Nestor Cerpa, que domina a casa do embaixador japonês em Lima, e o ministro da Educação do Peru, Domingo Palermo, iniciadas sábado, provocaram uma onda de otimismo em Lima e aumentaram as esperanças dos peruanos de que a solução para o impasse está próxima. Estamos otimistas com o resultado das conversações, afirmou ontem o presidente da Associação Pró-Direitos Humanos (Aprodeh), Francisco Soberón.
Ele disse que a decisão do presidente Alberto Fujimori de mandar Palermo até a casa mudou o quadro político. O MRTA fala numa mudança de tratamento de sua gente que está nas cadeias, argumentou Soberón. Para ele, esse é o momento mais importante na negocição desde o início da crise. Soberón disse que não há qualquer informação oficial sobre mudanças no tratamento dos mais de 400 presos políticos ligados ao MRTA.
As visitas às cadeias foram suspensas desde o dia em que o grupo liderado por Cartolini tomou a casa em San Isidro. De acodo com Soberón, o governo Fujimori mantém cerca de 4 mil pessoas como presos políticos em diversas prisões.
De acordo com Roland Bigler, assessor da entidade em Lima, a Cruz Vermelha atende cerca de 5 mil presos nos presídios peruanos. Bigler disse ainda que o chefe da Cruz Vermelha, Michel Minnig, mantém conversações com o governo para uma retomada nas visitas aos presos.
Diante da gravidade das acusações de desrespeito aos direitos humanos dos presos políticos, a direção do Comitê Internacional da Cruz Vermelha decidiu mandar para Lima Michel Minnig. Ele chegou ao país dia 1º de outubro para coordenar um trabalho mais eficiente de atendimento, que estava sendo feito desde 1993. Minnig acabou se transformando, no episódio com o MRTA, no principal canal de contato entre os guerrilheiros e o governo, até a entrada de Palermo na casa. Domingo, Minnig se reuniu com Palermo no Ministério da Educação.
Ontem, o ministro-chefe peruano, Alberto Pandolfi, assegurou que a eficiência com que o governo está administrando a crise dos reféns permitirá chegar em breve a uma solução vitoriosa. Num outro sinal de que o fim da crise está próximo, o ministro de Comunicação Social do governo boliviano, Mauricio Balcázar, anunciou ontem, em La Paz, que o embaixador da Bolívia em Lima, Jorge Gumucio - um dos reféns -, será libertado antes do Ano Novo.
Nos últimos dias, os guerrilheiros do MRTA deixaram de ameaçar matar todos os reféns no dia 31 - caso o governo peruano não libertasse seus companheiros presos -, como vinham fazendo desde o início do sequestro. Em vez disso, alguns porta-vozes dos rebeldes passaram a anunciar que o grupo estaria disposto a encontrar uma solução intermediária para acabar com a crise, sem que houvesse a necessidade de derramar sangue.
Em Atenas, uma mulher ficou ferida ontem na explosão de uma bomba de alta potência na porta da embaixada do Peru. O atentado, cuja autoria foi reivindicada pelo grupo terrorista grego Formação de Resistência Lutadora, também danificou seriamente o edifício da missão diplomática - que fica a poucas dezenas de metros da embaixada dos EUA na Grécia. Um desconhecido que telefonou para uma emissora de rádio e para um jornal grego assumindo a autoria do ataque disse que o atentado contra a embaixada do Peru representava uma manifestação de apoio ao comando sequestrador do MRTA, que, em um comunicado, repudiou o ataque.


