Associated Press
As facções rivais de Timor Leste não fizeram progressos substantivos em cinco dias de conversações de paz, finalizadas ontem, em Jacarta, concordando apenas em cumprir um acordo prévio e deixando várias questões-chave em aberto.
Os militantes pró e antiindependência não chegaram a um acordo nem mesmo sobre a continuação das negociações, rejeitando uma proposta feita pela anfitriã do encontro, a Igreja Católica, de formar um comitê comum permanente.
‘‘Apesar de uma boa atmosfera ao redor da mesa de negociações permanecem divisões profundas’’, disse o porta voz da Igreja, Domingos Sequiera.
As conversações tinham como objetivo pavimentar o caminho para o referendo marcado para agosto, quando os timorenses escolherão se ficam independentes ou ganham maior autonomia dentro da Indonésia, que invadiu a ex-colônia portuguesa em 1975.
As forças pró e antiindependência disseram ontem, no término das negociações, que cumprirão um acordo assinado em 18 de junho que prevê a entrega das armas de ambas as partes, além de respeitar o resultado do referendo.
Mas promessas anteriores de desarme foram rapidamente quebradas, e a violência entre os grupos rivais continua. Apenas nos últimos dois meses, dezenas de pessoas morreram e milhares fugiram de suas casas com medo da repressão.
O referendo, originalmente programado para 8 de agosto, foi adiado pela ONU no início deste mês por pelo menos duas semanas por motivo de segurança e preocupações logísticas.
Ameaças feitas por milicianos antiindependência forçaram ontem a evacuação de um segundo escritório das Nações Unidas em Timor Leste, estabelecido para supervisionar o referendo.
Linhas de telefone e energia elétrica foram cortadas no escritório de Viqueque, na província de Maliana, um dia depois de uma multidão ter atirado pedras contra funcionários da Missão de Ajuda das Nações Unidas (UNAMET), ferindo vários deles. A ONU informou ontem que o referendo será realizado mesmo se os ataques continuarem.

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