Negligência em sequestro de Beslan
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2005
Folhapress 
São Paulo- A comissão parlamentar russa responsável por investigar o sequestro de uma escola em Beslan (Ossétia do Norte), ocorrido em 1º de setembro de 2004, que terminou com a morte 331 pessoas a maioria crianças afirma que houve negligência e falha por parte das autoridades durante a condução do episódio.
O presidente da comissão, o senador Alexandre Torshin, revelou as primeiras conclusões da investigação. ''Na manhã de 1º de setembro (poucas horas depois da invasão do comando terrorista tchetcheno à escola) já se sabia o número exato de reféns, mas se continuou falando que havia 354 pessoas'' em poder dos sequestradores.
No total, 1.128 crianças, professores e pais de família foram feitos reféns por 32 terroristas no dia de volta às aulas depois das férias de verão. A tomada de reféns terminou em 3 de setembro de 2004.
Torshin afirmou que a decisão de informar um número menor de reféns foi tomada pelo diretor local do Serviço de Segurança Federal, Valery Andreyev que, após o sequestro, saiu do comando. O senador também culpou o antigo diretor de não conseguir coordenar os agentes de segurança que estavam no local.
Ele também afirmou que não ''havia informações claras'' sobre o planejamento de ataques terroristas na época, mas que o Ministério russo do Interior enviara um telegrama ao governo da Ossétia do Norte alertando sobre a possibilidade de ataques.
''A lista de falhas e negligências é longa'', afirmou Torshin diante dos deputados e senadores russos.
O deputado liberal Vladimir Ryzhkov criticou o relatório de Torshin, dizendo que ele desviou a atenção da responsabilidade que as autoridades federais também têm no caso. ''Isso (o relatório) é uma tentativa de colocar a culpa nas autoridades regionais e livrar o governo federal (...) que não tomou medidas preventivas, e não se preocupou em ter certeza que as ordens (de reforço na segurança) tinham sido obedecidas'', afirmou.
A comissão de investigação parlamentar foi criada no final de setembro para responder à comoção provocada pela tomada de reféns mais mortífera da história.


