São Paulo - Uma necropsia feita ontem no corpo de Terri Schiavo, que morreu em 31 de março passado, mostrou que ela havia sofrido danos cerebrais ''irreversíveis'', e também estava cega. O cérebro de Schiavo, que morreu aos 41 anos após longa batalha judicial que pôs fim a seus 15 anos hospitalizada em estado vegetativo persistente, tinha metade do tamanho normalmente encontrado em seres humanos, segundo o exame.
Durante o tempo em que esteve em estado vegetativo persistente, era mantida viva artificialmente, e recebia alimentação por meio de um tubo inserido em seu estômago.
De acordo com médicos que a atenderam logo no início de sua doença, o cérebro de Terri sofreu graves danos porque seu coração parou de bater por alguns minutos provavelmente devido a uma parada cardíaca causada por deficiência de potássio, provocada por uma dieta radical.
Mas segundo o médico Jon Thogmartin, que examinou Terri, permanece um mistério o que causou seu colapso há 15 anos. A necropsia e a investigação após sua morte não encontraram provas de que ela sofria de algum tipo de desordem alimentar.
De acordo com o relatório do especialista, Terri morreu de desidratação, e não havia sinais de ataque cardíaco, nem a presença de drogas que pudessem acelerar sua morte. Thogmartin também disse que, após a remoção do tubo de alimentação, ela não conseguiria ingerir alimentos ou água pela via oral. Durante seu processo de morte, que durou duas semanas, seus pais que lutaram para mantê-la viva afirmaram que ela poderia engolir.
O médico também afirmou que ela estava cega ''porque as áreas no cérebro que regulam a visão estavam mortas''. As conclusões dos médicos fazem contraponto à opinião dos pais de Terri, que mostraram vários vídeos onde a filha parecia responder a estímulos visuais e sonoros. Eles disseram várias vezes que a condição da paciente poderia melhorar caso recebesse o tratamento terapêutico adequado.
Os médicos disseram que suas reações eram automáticas e não há evidências de pensamento ou consciência. ''Seu cérebro pesava 615 gramas. Esse dano é irreversível'', afirmou Thogmartin. O médico disse que o relatório de necropsia foi baseado em 274 imagens internas e externas do corpo de Terri, e em uma exaustiva revisão de todos os relatórios médicos, policiais e dos serviços sociais americanos.
Terri foi motivo de uma das mais polêmicas disputas judiciais nos Estados Unidos, envolvendo seus pais Bob e Mary Schindler e Michael Schiavo, marido da paciente. A luta envolveu até mesmo o Congresso dos Estados Unidos, e o presidente George W. Bush também intercedeu no caso.
Michael afirmou que a mulher dissera repetidas vezes antes de entrar em estado vegetativo que não gostaria que sua vida fosse mantida artificialmente. Além disso, ele defendia a posição dos médicos que dizem que o estado de saúde de Terri vegetativo persistente era irreversível. Entretanto, Bob e Mary Schindler afirmavam que ela teria um estado menos grave de dano cerebral, denominado ''estado de consciência mínima'', e defenderam sua sobrevivência até o último minuto em que Terri esteve viva.

mockup