Nave Endeavour cartografa a Terra em três dimensões
Francis Temman
France Presse
De Cabo Cañaveral
A nave Endeavour prosseguia ontem sem problemas sua missão de cartografar a Terra em três dimensões, com a ajuda de uma tecnologia de radar ultra-sofisticada, utilizada pela primeira vez no espaço.
Lançada sexta-feira do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral (Flórida), a Endeavour leva a bordo duas antenas de radar, uma situada no compartimento de carga e a outra num longo mastro telescópico de 60 metros de comprimento.
Estas antenas recolhem em estéreo as ondas refletidas pela superfície e registram, assim, as variações de altitude da crosta terrestre. A utilização simultânea de dois radares posicionados a pequena distância um do outro constitui o que se chama de tecnologia da interferometria.
Graças à combinação destas duas imagens em estéreo, os cientistas podem realizar um mapeamento em três dimensões da superfície terrestre.
Seis horas após o lançamento, o comandante de bordo, Kevin Kregel, e os dois especialistas da missão Janet Kavandi e o colega alemão Gerhard Thiele começaram imediatamente o trabalho. Eles conseguiram acionar no espaço o mastro de 60 metros, um dos momentos mais delicados da missão.
Com um peso de 290 kg, este mastro é composto de 87 partes, confeccionadas em aço inoxidável, fibra de carbono e titânio. É a mais longa estrutura rígida jamais levada ao espaço.
Tivemos um grande sentimento de alívio e de alegria, declarou Michael Kobrick, responsável pelo projeto no Jet Propulsion Laboratory (JPL), de Pasadena (Califórnia).
O co-piloto Dom Gorie e os especialistas da missão Janice Voss e o Japonês Mamoru Mohri ativaram algumas horas mais tarde as antenas radar da nave espacial, enquanto que a Endeavour sobrevoava a 233 km de altitude o Sri Lanka, as ilhas Maldivas e o sul da Ásia.
Os seis astronautas se revezam a cada doze horas para vigiar os instrumentos de mensuração e substituir uma a uma as 300 fitas de gravação, que serão necessárias para estocar os milhares de dados recolhidos.
Para economizar energia, os radares são desativados sobre os oceanos e acionados 15 segundos antes da nave sobrevoar novamente a zona terrestre.
Durante nove dias e 143 órbitas, as mensurações permitirão cobrir cerca de 72% da superfície das terras imersas e cerca de 95% das zonas povoadas, segundo uma ampla faixa compreendida entre 60 graus de latitude norte e 56 graus de latitude sul.





