São Paulo - Ao menos 34 pessoas morreram ontem na costa da Grécia após o naufrágio de uma embarcação, indicou a guarda costeira grega. O barco transportava mais de cem pessoas, incluindo crianças, quando afundou diante da ilha de Farmakonisi, no sul do mar Egeu. A guarda costeira resgatou 68 pessoas.
É o terceiro naufrágio com mortos durante o fim de semana. No sábado, quatro menores de idade desapareceram depois que uma embarcação de plástico virou nas proximidades de Samos.
A primeira-ministra interina Vassiliki Thanou classificou as críticas à Grécia, que é uma das linhas de frente na onda de imigrantes que tentam chegar à Europa, como "inaceitáveis". "A Grécia tem aplicado rigorosamente tratados europeus e internacionais sem ignorar a questão humana", disse em uma visita a Lesbos, uma das ilhas que tem visto um fluxo grande de refugiados.
A onda de imigração que atinge a Europa foi motivo de várias manifestações no continente. Portugal, Grécia, Polônia e Hungria, entre outros, tiveram atos a favor e contrários à acolhida de refugiados e imigrantes, após a União Europeia determinar a cada país que receba um determinado número de refugiados. O número é calculado levando em consideração a situação econômica do país e o número de refugiados já acolhidos.

CRISE MIGRATÓRIA


A Alemanha reintroduziu temporariamente ontem os controles em suas fronteiras para enfrentar a chegada maciça de refugiados, uma medida que suspende o acordo de Schengen de livre circulação na Europa e marca um novo agravamento da crise migratória no continente.
Segundo o ministro do Interior, Thomas de Maiziere, a medida visa enfrentar a pressão migratória, em particular em Munique (sul), onde 63.000 refugiados chegaram em duas semanas. "O objetivo desta medida é conter a chegada atual de refugiados que vêm à Alemanha (...) Também é absolutamente necessária por razões de segurança", acrescentou em uma breve declaração à imprensa.
"Estamos mobilizando centenas" de policiais para realizar controles nas fronteiras, informou um porta-voz das forças federais à AFP.
A Comissão Europeia reagiu rapidamente afirmando que a decisão da Alemanha demonstra a urgência do plano europeu para responder à crise. Na segunda-feira, os ministros do Interior e da Justiça da União Europeia se reunirão de urgência para tratar a questão.
Após a decisão alemã, a República Tcheca anunciou um reforço do controle em sua fronteira com a Áustria, segundo o ministro do Interior, Milan Chovanec.
Praga "reforçou as medidas em sua fronteira com a Áustria. As etapas seguintes serão determinadas em função do número de refugiados em direção à República Tcheca", declarou Chovanec.
O ministro do governo de Angela Merkel também pediu a todos os países membros da UE que voltem a respeitar as normas em vigor do bloco, segundo as quais os refugiados devem pedir asilo no primeiro país em que chegarem dentro do bloco.
Trata-se de uma alusão velada à Grécia, por onde chegam dezenas de milhares de refugiados, que são autorizados pelas autoridades a prosseguir para o norte sem passarem por registros. Da mesma forma, a Hungria deixa que os refugiados prossigam seu caminho em direção à Áustria e à Alemanha, seu destino de escolha. A Alemanha prevê que neste ano chegarão ao seu território um número recorde de 800.000 solicitantes de asilo.

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