Associated Press
De Quito
Atendendo a uma convocação da Confederação das Nações Indígenas do Equador (Conaie) e iludindo controles policiais e militares, cerca de 500 nativos equatorianos chegaram ontem de manhã a um parque de Quito, onde pretendiam concentrar-se para uma marcha pela capital do país. A Conaie pretende liderar um ‘‘levante popular e indígena’’, no qual exige a renúncia do presidente Jamil Mahuad, a dissolução de todos os poderes do país e a formação de um ‘‘governo de salvação nacional’’ integrado por representantes das Forças Armadas, das igrejas e dos setores organizados da sociedade.
A concentração de manifestantes aumentou a tensão política no país, mergulhado numa profunda crise política e econômica e sob estado de emergência nacional há mais de três semanas. Ao mesmo tempo, autoridades da Igreja Católica faziam apelos aos manifestantes para que ajudassem a conservar a institucionalidade e evitassem uma explosão de violência que poderia ‘‘destruir o país’’.
Integrantes de diferentes etnias indígenas representam cerca de 30% dos 12,5 milhões de equatorianos. De acordo com um dirigente da Conaie, os manifestantes estavam chegando paulatinamente a Quito depois de passar pelos rígidos bloqueios de estradas instalados pelos militares em razão do estado de emergência. Acrescentou que o número de ativistas deveria triplicar-se até o início da noite. Além de realizar uma marcha pelas ruas de Quito, os indígenas pretendiam ‘‘paralisar o país’’, bloqueando várias estradas.
Depois de o índice de inflação ter chegado a 61%, o sucre, a moeda nacional, ter-se desvalorizado 197% em relação ao dólar em 1999, Mahuad propôs há duas semanas a dolarização total da economia equatoriana. O plano está em marcha desde que recebeu luz verde do Banco Central, no dia 10, mas tem encontrado resistência em alguns setores da sociedade.
‘‘Qualquer sistema econômico que se adote deve ter o desenvolvimento humano como principal objetivo’’, declarou o secretário da Conferência Episcopal Equatoriana, monsenhor José Eguiguren. ‘‘É indispensável que, junto com qualquer modelo econômico, sejam introduzidos modelos de política social agressivos, uma vez que a situação da pobreza está chegando a níveis absolutamente insustentáveis.’’
De acordo com o Banco Mundial, metade dos equatorianos vive abaixo da linha de pobreza.

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