Natal sangrento no Oriente Médio
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2003
France Presse 
Jerusalém Israel e os territórios palestinos viveram um Natal sangrento com cinco mortos, incluindo um chefe da Jihad Islâmica, num ataque de helicópteros israelenses em Gaza. Outras quatro mortes, incluindo a do suicida, foram registradas num atentado palestino perto de Tel Aviv, horas depois do patriarca de Jerusalém ter solicitado, em vão, paz em seu sermão natalino.
Este foi o primeiro ataque aéreo israelense contra ativistas palestinos nos últimos dois meses e o primeiro atentado suicida palestino em Israel desde 4 de outubro. Ambos coincidem com o dia do aniversário de Cristo e o sétimo dia do Hanukah judaico.
Em Gaza, o chefe militar da Jihad Islâmica, Mokled Hamid, de 40 anos, morreu ao lado de outros quatro palestinos durante um ataque com mísseis a partir de helicópteros israelenses contra um veículo em Gaza, segundo fontes médicas palestinas. Outros sete palestinos ficaram feridos.
O atentado suicida palestino, reivindicado em várias ligações à AFP pelas brigadas de Abu Al Mustafah, braço militar da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), foi cometido poucos minutos depois do ataque de Gaza.
O exército israelense confirmou, em um breve comunicado, a autoria deste ''ataque seletivo'', acusando Mokled Hamid de ter organizado uma série de ataques e de ter preparado um importante atentado em Israel.
Os outros quatro mortos não foram identificados, mas, a princípio, também pertenceriam à Jihad Islâmica, segundo fontes palestinas.
Em declarações à AFP, um líder político do movimento, Jaled Al Batsh, acusou Israel ''de ter cometido um novo crime'' e prometeu ''que isso não ficará impune''.
Atentado Em Petah Tikwah, ao nordeste de Tel Aviv, três pessoas, além do terrorista, morreram e dez ficaram feridas, algumas em estado grave, quando um suicida explodiu bombas atadas ao corpo num ponto de ônibus que estava lotado, em plena hora do rush, segundo a polícia.
''Trata-se de um atentado suicida'', declarou à emissora de televisão pública o chefe de polícia da região de Tel Aviv, Yossi Setbon. A resposta ao atentado palestino foi imediata e Israel impôs um ''bloqueio total'' dos territórios palestinos.
Condenação O governo palestino também condenou o ataque aéreo israelense que causou cinco mortos em Gaza e o atentado suicida perto de Tel Aviv no qual morreram quatro pessoas, entre elas o camicaze.
''O governo palestino condena o ciclo de violência e contraviolência, marcado mais recentemente pelo assassinato de cinco cidadãos em Gaza por helicópteros israelenses e pelo ataque num ponto de ônibus que causou mortos e feridos esta noite em Tel Aviv'', anunciou o gabinete palestino em comunicado, divulgado logo em seguida aos atentados.
Poucas horas antes do Natal sangrento, na noite de quarta-feira, o patriarca Michel Sabbah insistiu em seu sermão da missa do Galo, em Belém, que cristãos, judeus e muçulmanos devem viver em harmonia na Terra Santa e denunciou a ocupação israelense dos territórios palestinos.


