Natal conquista espaço na China
A maioria da população chinesa ignora o caráter religioso do Natal, o que não está impedindo a festa de ter grande sucesso comercial este ano no país, tornando onipresentes os motivos ocidentais nas vitrines das lojas.
Natal? Não sei exatamente do que se trata. Pergunte ao meu vizinho, que estudou, afirmou o vendedor de um grande centro comercial de Pequim, depois de ter vendido uma dezena de figuras de Papai Noel.
Ainda que os meios de comunicação sejam extremamente contidos na divulgação de uma festa comemorada somente entre 15 e 20 milhões de chineses cristãos, as árvores de natal e os bonecos de Papai Noel se multiplicam, como num passe de mágica, nas ruas e grandes centros comerciais da capital. Até mesmo a tradição da troca de presentes, quase inexistente antes, começa a se desenvolver no país que acredita ser o primeiro fabricante de brinquedos do mundo.
Minha sobrinha me ligou ontem à noite para lembrar de lhe trazer um presente, disse um aposentado que fazia compras.
O Natal está a caminho de se converter em uma grande festa comercial, com a complacência das autoridades que, deste modo, esperam incentivar o consumo interno debilitado na China.
Apesar da festa da população em torno do Natal, o Ano Novo chinês, que é comemorado em janeiro ou fevereiro, segundo o calendário lunar, continua sendo a grande data no país.
Por enquanto, os clientes dos produtos natalinos compram uma ou outra bola e coroa. Às vezes, também levam um disfarce de Papai Noel.
Entretanto, a venda destas mercadorias não se compara com a enorme saída de presentes, a maioria fabricados na China e levados para as crianças ocidentais.
Segund Ma Yin, responsável pela Associação Chinesa dos Fabricantes de Brinquedos, mais de 80% da produção nacional é exportada, gerando receita anual de cerca de cinco bilhões de dólares.
Entretanto, a situação é diferente no mercado interno chinês, reconhece Ma. Vários trabalhadores foram despedidos e a população está preocupada com as reformas dos sistemas de saúde e habitação. Os mais privilegiados começam a comprar presentes para seus filhos, mas a maioria das famílias não pode fazê-lo, explicou.
Somente alguns cristãos se mostram céticos em relação à nova moda. As autoridades sabem que o Natal é rentável, por isso permitem que os hotéis e restaurantes exibam menus natalinos. Entretanto, paralelamente, o partido comunista teme o crescimento do cristianismo, afirmou o protestante Xu Yonghai, membro de uma igreja não reconhecida pelo governo.
Xu vai comemorar o Natal em um grande hotel de Pequim, enquanto milhares de chineses irão à igreja para assistir a missa do galo, como ocorre há anos.
Semanas depois da destruição ou fechamento de mais de 1.500 edifícios religiosos clandestinos no Leste do país, os fiéis de igrejas não reconhecidas pelo regime precisam continuar se escondendo para celebrar o nascimento de Cristo.





