Naruhito é proclamado imperador do Japão e inaugura a era Reiwa
Mudança de soberano aconteceu de forma sóbria, a portas fechadas no Palácio Imperial
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terça-feira, 30 de abril de 2019
Mudança de soberano aconteceu de forma sóbria, a portas fechadas no Palácio Imperial
France Presse 

Tóquio - Naruhito, filho primogênito do soberano Akihito, se tornou à zero hora de quarta-feira (hora local), meio-dia em Brasília, o 126º imperador do Japão, inaugurando a era chamada "Reiwa" ("bela harmonia"). O pai dele concluiu as cerimônias de abdicação horas antes, após 30 anos de reinado.
O momento é histórico - dez dias de férias foram decretados para a ocasião - mas a mudança de soberano aconteceu de forma sóbria, a portas fechadas no palácio. Nos arredores do palácio, localizado no centro de Tóquio, onde a presença policial foi reforçada, não houve celebrações oficiais para marcar o início da era Reiwa.
Alguns japoneses, no entanto, foram ao local, enfrentando a chuva, para tirar fotos e imortalizar o momento. Entre eles, Miyuki Sakai, 45, que foi Osaka (oeste) com sua família para homenagear Akihito. "Durante a era Heisei, obtive o meu diploma, me casei, tive três filhas, então gostaria de agradecer o imperador", declarou à AFP, inclinando-se várias vezes em sinal de gratidão.
Nos bairros agitados da capital (Shibuya, Shinjuku), os bares e restaurantes se prepararam para a festa, enquanto em Gifu (centro do país), muitos vestiram seu quimono.
No início da tarde, Akihito, 85, concluiu a cerimônia de abdicação, de apenas dez minutos de duração, no Salão do Pinheiro (Matsu-no-Ma), considerado o mais elegante do Palácio Imperial.
Akihito fez um breve discurso: "Expresso do fundo do meu coração minha gratidão ao povo do Japão, que me aceitou como símbolo do Estado e me apoiou", disse, em referência a seu papel de acordo com a Constituição, em vigor desde 1947 e na qual o imperador deixou de ter o status de semideus. Durante a manhã, o imperador realizou o ritual de "informar" sobre sua abdicação aos ancestrais em vários santuários do Palácio Imperial.
"Nasci na era Heisei e estou um pouco triste, mas também estou nervoso com a nova era que começa", disse Rikia Iwasaki, estudante de 13 anos. "Queria agradecer ao imperador por seu trabalho duro", afirmou Hironari Uemara, 76, que viajou de Okayama (oeste) a Tóquio. Sua esposa contou à AFP que vai sentir saudade do imperador Akihito e da imperatriz Michiko. "Tenho vontade de chorar", declarou.
A população japonesa organiza festejos históricos e praticamente inéditos, porque desta vez a nação não está de luto com a morte de um soberano. Isto aconteceu em 1989, com a morte de Hirohito, também chamado de imperador Showa, em 1926 (falecimento do imperador Taisho) e em 1912 (morte do imperador Meiji).
O presidente americano, Donald Trump, enviou uma mensagem em que manifesta "sincera apreciação" pelo casal imperial. Também destacou a "relação próxima" entre Estados Unidos e Japão. Diversos eventos estão programados para os próximos meses para marcar a transferência do trono, com a presença de chefes de Estado e personalidades.
Esta é a primeira vez em dois séculos que um imperador japonês cede o posto em vida, após uma lei elaborada sob medida para Akihito. Em meados de 2016, o imperador anunciou que pretendia deixar o trono porque não conseguia mais exercer a função "de corpo e alma", uma consequência de sua idade e de seu estado de saúde. governo decidiu a data da abdicação e tudo que cerca o protocolo, um processo no qual a família imperial não teve direito a voz ou voto.


