São Paulo - Em discurso na 65 Assembleia Geral da ONU, o chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, declarou que seu país não será ''influenciado'' pelo Ocidente e que a solução de dois Estados não garante a paz no Oriente Médio. Durante o pronunciamento moderado e sem maiores novidades sobre o processo de paz entre israelenses e palestinos, Liberman reiterou que Israel não é ''só o local'' onde seu povo está, mas também a própria definição do que os judeus ''são'' como etnia.
Ligado à extrema direita, o chanceler mostrou posições mais conservadoras do que as do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, ao dizer que ''a criação de um Estado palestino'' não garante a paz no Oriente Médio. ''Conflitos entre povos com línguas, culturas, religiões e tradições diferentes costumam ser de complexa resolução'', disse Liberman.
Em alusão à expansão dos assentamentos judaicos e à definição de fronteiras de um potencial Estado palestino, Liberman declarou: ''Não estamos falando em mover populações, mas sim em definir fronteiras que reflitam melhor as realidades geográficas da região.''
O líder palestino Mahmoud Abbas, por sua vez, deixou claro que pode abandonar as negociações de paz caso Israel não volte a suspender as obras nas colônias judaicas, liberadas na segunda-feira após dez meses de interrupção. A decisão final, no entanto, só será divulgada no dia 4 de outubro, após uma reunião com os países da Liga Árabe. ''Pedimos a moratória enquanto existirem negociações porque enquanto há negociação, há esperança'', afirmou Abbas.
Na segunda, as colônias da Cisjordânia reiniciaram as obras de construção ao fim de uma moratória de dez meses que não foi prorrogada por Israel. ''Não queremos interromper as negociações. Mas se a colonização continuar, seremos obrigados a interrompê-las'', afirmou o presidente palestino, para quem Netanyahu ''tem que saber que a paz é mais importante que a colonização''.

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