Não houve repressão contra manifestantes
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Rebeca Kritsch Agência Estado Hong Kong 
Manifestações livres, sem incidentes ou repressão, marcaram presença na festa de inauguração da Região Administrativa Especial de Hong Kong. Contrariando a expectativa, a polícia - agora sob ordens de uma administração que se reporta a Pequim e que nas primeiras horas do dia aprovou lei mais repressiva contra atos públicos - reagiu como de costume sob o domínio britânico.
Os manifestantes comunicaram a manifestação nos formulários antigos, explicou um policial. E também não fomos informados de nenhuma mudança.
Nas primeiras horas de ontem, uma legislatura apontada indiretamente pelo governo chinês reformou a legislação que rege manifestações no território. Protestar, agora, só com autorização da polícia. Antes, bastava comunicar às autoridades. Talvez numa atitude calculada, Pequim deu sua primeira demonstração de tolerância.
Também nas primeiras horas do dia o Exército Popular da China entrou no território, saudado pelo público. Os soldados acenaram dos navios e dos caminhões. Mostraram uma face amistosa que por aqui ninguém conhece. Logo na entrada, três caminhões do exército colidiram, segundo os oficiais por causa do mau tempo.
Às 10 da manhã, membros do novo governo participaram da celebração de posse. À tarde, o novo chefe-executivo, Tung Chi Hua, apareceu na festa budista pela reunificação, no estádio de Hong Kong. Recebeu bênçãos e votos de boa sorte. O papa João Paulo 2 também mandou uma mensagem para o novo líder.
Na cidade, ontem foi um dia de chuva e celebração, que terminou com um espetacular show de fogos de artifícios no porto. Pouco antes do evento pirotécnico, um desfile de barcos iluminados, retratando a mitologia chinesa, encantou os recém-unificados chineses. Centenas de pessoas se alinharam à beira da água e se enfileiraram nas janelas envidraçadas para admirar o espetáculo. Outras celebrações estão programadas para hoje. Amanhã Hong Kong volta ao trabalho.


