Montevidéu - A tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai está livre de toda a atividade terrorista, anunciou ontem em Montevidéu o ministro da Defesa do Brasil, José Viegas Filho, contradizendo assim as suspeitas dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, que vêm questionando a situação na área.
Segundo Viegas, ''não houve, não havia e não há indícios de atividade terrorista'' na zona de fronteira onde ficam Ciudad del Este (Paraguai), Foz do Iguaçu (Brasil) e Puerto Iguazú (Argentina).
Em entrevista concedida à imprensa, durante uma visita de 48 horas ao Uruguai, o ministro brasileiro enfatizou que ''os três países acompanham a região com atenção muito especial e não identificaram nenhum foco que signifique ameaça de atos terroristas''.
Para tranquilizar os numerosos viajantes que visitam a chamada Tríplice Fronteira, recordou que a área ''tem também um intenso movimento turístico, devido às cataratas do Iguaçu'' pelo que é realizada sempre uma intensa atividade preventiva que, até agora, não detectou nenhum perigo terrorista.
Brasil e Uruguai que, junto com a Argentina e Paraguai fazem parte do Mercosul, assinaram, nesta terça-feira um Acordo preventivo de Cooperação ''para a proteção do espaço aéreo'' comum, explicou Viegas. O convênio bilateral estabelece a possibilidade de ''intercâmbio de informações, de treinamento e de ações conjuntas, quando necessárias''.
A posição de Viegas coincidiu com a da embaixadora americana Donna Hrinak, que há dois meses, antes de deixar o cargo em Brasília, negou que na Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai existam células terroristas islâmicas. ''Sabemos que há uma arrecadação de fundos para o Oriente Médio, e que pessoas de boa fé contribuem acreditando que estariam ajudando obras beneficentes; achamos também que esse dinheiro também chega a alguns grupos com outras intenções, com outras finalidades. Mas de terrorismo na Tríplice Fronteira, de células ativistas, nada'', afirmou a diplomata.
No entanto, em julho, o diretor do Centro Wiesenthal, antinazista, Shimon Samuels denunciou à AFP em Puerto Iguazú, durante a última reunião de cúpula do Mercosul, que na região da Tríplice Fronteira ''há grupos em atividade''. ''Estão recrutando (homens) e arrecadando fundos para as organizações Hezbollah e Hamas e os governos limítrofes nada fazem nada para impedi-lo'', denunciou Samuels.
Segundo ele, estão na região pessoas envolvidas ou suspeitas de terem participado dos atentados (em Buenos Aires) contra a embaixada de Israel e a mutual israelita AMIA''. Os dois ataques deixaram 107 mortos e 500 feridos, sem que a justiça argentina tenha estabelecido alguma pista.

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