Todos eles têm suas razões para fugir: seus amigos e vizinhos já se foram; ou a comida que se acaba, sobrando, às vezes, apenas um saco de farinha para alimentar uma família de 10 pessoas. Ou com a campainha tocando todos os dias por policiais sérvios e suas perguntas: Algum refugiado em casa? Algum rebelde do Exército de Libertação de Kosovo? Ou por eles não poderem dormir, com as forças iugoslavas cantando músicas nacionalistas no meio da noite e praguejando contra os albaneses étnicos que se escondem dentro de suas casas.
Nos últimos quatro dias, cerca de 20.000 kosovares de etnia albanesa fugiram para a Macedônia, o maior número já visto pelos funcionários da ONU desde a primeira semana de maio. A maioria dos recém-chegados ontem veio da capital kosovar, Pristina, e, em uníssono, eles relatam a existência de uma cidade destruída, na qual paramilitares vestem máscaras pretas e andam pelas ruas onde um dia a população albanesa étnica dominava.
‘‘Não há mais vida lᒒ, disse Alben Tahiri, de 24 anos, cuja calça jeans e uma fashion jaqueta de náilon preta o distinguia da maior parte dos refugiados. Tahiri ficou escondido 6 semanas em seu apartamento.
Ron Redmond, um porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, especulou ontem sobre a possibilidade de o presidente Slobodan Milosevic estar promovendo uma nova ‘‘limpeza’’ em Pristina e na cidade de Urosevac.

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