Não há garantia de democracia no país
Paris - A decisão de Fidel Castro de deixar a presidência em Cuba significa o fim de um governo pessoal mas, de nenhuma maneira representará mudanças profundas no campo da democracia, segundo diversos especialistas.
''De fato, Raúl Castro, por exemplo, assumiu a totalidade do poder em 31 de julho de 2006, mas não houve a menor mudança na questão da liberalização da economia, nem, principalmente, das liberdades política fundamentais'', comentou o dissidente Jacobo Machover, exilado na França e autor de um livro crítico sobre Ernesto Che Guevara.
Pierre Rigoutl, diretor do Instituto de História de Paris, acredita, ao contrário, que Raúl já mostrou sinais de ''um clima um tanto diferente''.
''Mas ele avança com cuidado, pois os homens de Fidel ainda estão presentes'', explica. O ministro cubano das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, por exemplo, ''não é alguém que está disposto a reformas''.
Segundo Jacobo Machover, Raúl Castro - que dirige o exército cubano com rigidez há quase meio século - ''em nenhum momento pode ser o homem da democracia de Cuba''.
Quanto aos direitos humanos, ''não é um homem de abertura'', comentou Machover, dado o exemplo às recentes ''libertações conta-gotas de prisioneiros políticos''.
Segundo um recente informe da Comissão Cubana para os Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN, ilegal), no final de 2007, havia em Cuba pelo menos 234 presos políticos, sendo 24 jornalistas. (F.P.)





