Nações Unidas podem proibir viagens
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de novembro de 1997
Paul Taylor Londres 
Uma proibição de viagens de autoridades iraquianas, mais que uma tempestade de mísseis de cruzeiro americanos, é o provável novo passo caso o presidente Saddam Hussein continue desafiando as Nações Unidas, disseram diplomatas. Eles afirmaram que as potências ocidentais no Conselho de Segurança não irão permitir que o Iraque escape da crise engajando-se em negociações.
Fontes francesas disseram que líderes da França e da Grã-Bretanha concordaram numa reunião de cúpula em Londres e que se o Iraque continuar com seu desafio, o Conselho de Segurança deve considerar o acréscimo do banimento de viagens a oficiais iraquianos às existentes sanções econômicas.
Diplomatas ocidentais afirmaram que o Iraque tem um claro interesse em acabar com a crise e tentar dividir o Conselho de Segurança, mas até agora não teve sucesso. Só que apesar de as potências ocidentais concordarem que Saddam não pode sair da crise desafiadoramente, elas diferem sobre a estratégia de longo prazo em relação ao Iraque.
A França e a Rússia, ambas tendo a receber grandes débitos de Bagdá e dispostas a explorar suas imensas reservas de petróleo, argumentam que as Nações Unidas devem oferecer ao Iraque uma clara série de incentivos levando à suspensão das sanções em troca do cumprimento das resoluções.
Os Estados Unidos, apoiados pela Grã-Bretanha, descartam qualquer alívio nas sanções enquanto Saddam continuar no poder. Isto tem alimentado a frustração iraquiana. Mesmo que Bagdá destrua suas armas não-convencionais, autoridades americanas afirmam que o Iraque teria de demonstrar suas intenções pacíficas por um período não especificado.
Mas especialistas sobre o Iraque dizem que a posição interna de Saddam é mais forte agora do que em qualquer momento desde a Guerra do Golfo, com a oposição desmantelada, facções curdas lutando entre si ao invés de contra Bagdá e a resistência xiita no sul esmagada.


