O ex-funcionário público Nacif Fatuch, filho de libaneses, e o ex-comerciante David Degtiar, ambos aposentados, conhecem-se há pelo menos 30 anos. Fatuch sempre morou no centro, ''foi a única pessoa que nasceu na Rua XV'', segundo David, trabalhava no antigo edifício Curitibano, na Rua Barão do Rio Branco, onde o amigo judeu tinha uma lotérica no térreo.
Mas a amizade mesmo só acabou aparecendo há uns 15 anos, quando ambos não trabalhavam mais. Fatuch continua morando na mesma região, na Rua Riachuelo, e diariamente encontra dezenas de aposentados que frequentam o local. O amigo mais costumaz, no entanto, é David.
''Os dois vivem brigando, mas não se largam'', conta Rosalvo Teixeira de Faria, dono de uma casa lotérica na região. O único problema, segundo ele, é decidir quem vai pagar o cafezinho. ''O David pagou o café na última segunda-feira e toda cidade ficou sabendo'', brinca.
Nenhum deles gosta muito de falar sobre política. Ambos discordam do ataque aos Estados Unidos, mas preferem não opinar sobre uma reação ao atentado. ''Nós conversamos sobre futebol, comércio, um pouco de política'', diz Fatuch. Entre um papo e outro, o roteiro é sempre o mesmo: passam nas casas lotéricas, no barbeiro, param na rua e continuam conversando. (M.G.)

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