Nova York - O presidente Michel Temer usou seus quase 21 minutos de discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta terça-feira (25), para criticar "recaídas unilaterais" e a intolerância no mundo e para reforçar que o Brasil é uma "democracia vibrante, lastreada em instituições sólidas." Às 9h45 (10h45 em Brasília), Temer subiu pela terceira vez ao púlpito da Assembleia Geral como presidente, mantendo a tradição do Brasil de abrir os debates gerais do organismo multilateral.

"O isolamento pode até dar uma falsa sensação de segurança", afirmou Temer na abertura da Assembleia Geral da ONU
"O isolamento pode até dar uma falsa sensação de segurança", afirmou Temer na abertura da Assembleia Geral da ONU | Foto: Timothy A. Clary/AFP



Ele usou a primeira parte de sua fala para criticar o que chamou de forças isolacionistas. "Reavivam-se velhas intolerâncias. As recaídas unilaterais são cada vez menos a exceção", afirmou o presidente. "O isolamento pode até dar uma falsa sensação de segurança. O protecionismo pode até soar sedutor. Mas é com abertura e integração que alcançamos a concórdia, o crescimento, o progresso", disse.

O unilateralismo, ressaltou, será respondido com "mais diplomacia, mais multilateralismo". "Temos que permanecer coesos em torno desta obra coletiva que é erguer um mundo em que predominem a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos. Nada conseguiremos sozinhos".

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Para Temer, isso só será conseguido com o fortalecimento da ONU. "Precisamos torná-la mais legítima e eficaz", disse. Ele reconheceu que o organismo precisa passar por reformas, citando especificamente o Conselho de Segurança. Segundo o presidente, "como está, reflete um mundo que já não existe mais".

A citação ocorre em um momento em que o mundo observa um aumento do protecionismo, em meio a uma disputa comercial entre EUA e China, uma queda de braço que elevou a aversão a risco nos mercados financeiros.

A crise migratória na Venezuela foi citada pelo presidente, que afirmou que o Brasil tem recebido "todos os que chegam" ao País. "Com a colaboração do Alto Comissariado para Refugiados, construímos abrigos para ampará-los da melhor maneira. Temos promovido sua interiorização para outras regiões do Brasil. Emitimos documentos que os habilitam a trabalhar no País. Oferecemos escola para as crianças, vacinação e serviços de saúde para todos", afirmou. "Mas sabemos que a solução para a crise apenas virá quando a Venezuela reencontrar o caminho da democracia e do desenvolvimento."

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