Na ONU, Temer critica unilateralismo
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terça-feira, 25 de setembro de 2018
Danielle Brant <br> Folhapress 
Nova York - O presidente Michel Temer usou seus quase 21 minutos de discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta terça-feira (25), para criticar "recaídas unilaterais" e a intolerância no mundo e para reforçar que o Brasil é uma "democracia vibrante, lastreada em instituições sólidas." Às 9h45 (10h45 em Brasília), Temer subiu pela terceira vez ao púlpito da Assembleia Geral como presidente, mantendo a tradição do Brasil de abrir os debates gerais do organismo multilateral.

Ele usou a primeira parte de sua fala para criticar o que chamou de forças isolacionistas. "Reavivam-se velhas intolerâncias. As recaídas unilaterais são cada vez menos a exceção", afirmou o presidente. "O isolamento pode até dar uma falsa sensação de segurança. O protecionismo pode até soar sedutor. Mas é com abertura e integração que alcançamos a concórdia, o crescimento, o progresso", disse.
O unilateralismo, ressaltou, será respondido com "mais diplomacia, mais multilateralismo". "Temos que permanecer coesos em torno desta obra coletiva que é erguer um mundo em que predominem a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos. Nada conseguiremos sozinhos".
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Para Temer, isso só será conseguido com o fortalecimento da ONU. "Precisamos torná-la mais legítima e eficaz", disse. Ele reconheceu que o organismo precisa passar por reformas, citando especificamente o Conselho de Segurança. Segundo o presidente, "como está, reflete um mundo que já não existe mais".
A citação ocorre em um momento em que o mundo observa um aumento do protecionismo, em meio a uma disputa comercial entre EUA e China, uma queda de braço que elevou a aversão a risco nos mercados financeiros.
A crise migratória na Venezuela foi citada pelo presidente, que afirmou que o Brasil tem recebido "todos os que chegam" ao País. "Com a colaboração do Alto Comissariado para Refugiados, construímos abrigos para ampará-los da melhor maneira. Temos promovido sua interiorização para outras regiões do Brasil. Emitimos documentos que os habilitam a trabalhar no País. Oferecemos escola para as crianças, vacinação e serviços de saúde para todos", afirmou. "Mas sabemos que a solução para a crise apenas virá quando a Venezuela reencontrar o caminho da democracia e do desenvolvimento."


