PARIS - Às vésperas do segundo turno das eleições, a direita descobre, de repente, um novo chefe, ou melhor, dois: Philippe Seguin e Alain Madelin! Para medir o alcance desse achado, será necessário, como em todo romance policial que se preza, fazer um ‘‘resumo dos capítulos precedentes’’.
Em abril, o presidente Chirac decidiu, com essa desenvoltura que faz parte de seu encanto, dissolver a Assembléia Nacional, o que provoca a curiosidade geral. Naquela época, o presidente dispunha, na Câmara, de uma maioria esmagadora: 480 dos 550 deputados.
A sequência é menos engraçada: o primeiro-ministro, Alain Juppé, fez uma campanha heróica, medíocre e desesperada. Mas não adiantou: perdeu-se a maioria. Os socialistas agradam aos eleitores e, feita a apuração do primeiro turno, verifica-se que a esquerda tomou a frente na corrida.
Pânico. Chirac não consegue acreditar. É preciso fazer alguma coisa. E ele faz! Manda embora seu ‘‘alter ego’’, Alain Juppé, o primeiro-ministro mais impopular desde 1958. Espera lucrar com esse sacrifício, mas aí o campo de batalha torna-se surrealista: a esquerda tem um líder incontestável, o virtuoso e protestante Lionel Jospin. Diante dele, as tropas da direita, desmoralizadas e estupefatas, são abandonadas em campo aberto. Já não têm nem menos um generalzinho com que contar.
Urge, portanto, encontrar um novo general. Chirac começa a refletir e tira da cartola dois novos generais, uma dobradinha que, nas últimas horas da batalha, vai assumir o comando da direita: Philippe Seguin e Alain Madelin. São dois homens notáveis. Philippe Seguin, gordo e munido de sobrancelhas espessas e terríveis, às quais se acrescenta um mau humor hiperbólico. E Alain Madelin, tem menos classe, mas é um bom economista e é simpático. Em teoria, portanto, a dupla inventada por Chirac dá certo. Resta ver o que dizem as urnas, hoje.

mockup