Musharraf tenta convencer população
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quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Associated Press <br> De Islamabad 
O presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, disse ontem à sua nação que os Estados Unidos estão perseguindo o suposto terrorista Osama bin Laden, e não o Islã ou o povo do Afeganistão. Ele também afirmou que os Estados Unidos ainda não completaram seu plano operacional para um ataque contra o Afeganistão e que detalhes sobre a cooperação do Paquistão ainda estavam sendo discutidos.
''Em nenhum lugar os termos Islã ou nação afegã foram mencionados'' nas conversações entre o Paquistão e os Estados Unidos sobre a cooperação nos esforços contra o terrorismo, disse Musharraf, que vestia uniforme militar e falava em sua nativa urdu. Como esperado, o discurso foi claramente um esforço para dar garantias a uma nação islâmica reagindo com fúria e temor à decisão do governo de cooperar em propostos ataques dos Estados Unidos contra o Afeganistão.
Musharraf advertiu que os ataques terroristas contra os Estados Unidos em 11 de setembro, e a decisão do Paquistão de ajudar a descobrir e encontrar os perpetradores, colocaram seu país na pior crise desde a última guerra contra a vizinha Índia, em 1971. ''O Paquistão está passando por um momento muito sério'', afirmou. ''Nossa decisão de hoje terá impacto em nosso futuro'', disse Musharraf, pontuando seu discurso com citações do Corão, o livro sagrado do Islã.
Ele afirmou que os americanos querem a ajuda do Paquistão nos campos de inteligência e logística, assim como permissão para o uso de seu espaço aéreo. Cooperar com os Estados Unidos e ficar junto com a comunidade internacional irá garantir que o pobre país do Sul da Ásia surja como um ''responsável e digno Paquistão'', avaliou.
Musharraf também lançou uma advertência à vizinha Índia, seu inimigo em três guerras nos últimos 50 anos, para não tomar vantagem da crise que o Paquistão atualmente enfrenta. ''Nossa Força Aérea está em alto alerta e pronta para uma missão de vida ou morte'', garantiu. Musharraf disse que os Estados Unidos estão com espírito de ''tristeza, ódio e vingança'' devido aos ataques suicidas contra o World Trade Center e o Pentágono no dia 11 de setembro.
''A luta é contra o terrorismo, o que tem o apoio de todos os países islâmicos'', acrescentou. ''Todos os meus esforços estão sendo no sentido de encontrar uma solução para esta grave situação para que o Afeganistão e o Taleban não sofram. Isto é o que eu tenho tentado fazer, e o que eu continuarei tentando'', afirmou Musharraf.
O líder paquistanês também disse que solicitou aos Estados Unidos evidências contra Bin Laden. ''Fomos longe o bastante até mesmo para dizer aos Estados Unidos para tomarem qualquer ação que desejarem, mas com tolerância e equilíbrio, e sobre a questão de Bin Laden, solicitamos a eles as provas disponíveis'', afirmou.


