São Paulo- O ditador Pervez Musharraf anunciou ontem sua renúncia à presidência do Paquistão para evitar um processo de impeachment. De acordo com a Constituição, agora, o presidente do Senado, Mohammedmian Soomro, irá assumir o cargo interinamente por 30 dias, que é o prazo máximo para a escolha de um novo presidente.
O novo presidente será escolhido por um colégio eleitoral formado por integrantes de ambas as Casas e das quatro assembléias provinciais.
Tradicionalmente, no Paquistão, o primeiro-ministro reúne mais poderes que o presidente, no entanto, sob a liderança de Musharraf, o cenário mudou, e ele deteve poderes para desfazer o Parlamento e tomar decisões nos setores militar e judiciário. Os opositores de Musharraf já anunciaram que pretendem devolver à presidência seu caráter meramente cerimonial.
Musharraf anunciou sua renúncia em pronunciamento na TV um dia depois de o governo de coalizão contrário a ele dizer que o texto acusatório que pediria a cassação seria entregue à liderança para aprovação. Com suas acusações de violação da Constituição e má gestão da economia, os opositores pretendiam iniciar um processo de impeachment --e Musharraf não tinha maioria para evitar a cassação.
''Infelizmente, alguns elementos com interesses ocultos levantaram falsas acusações contra mim'', afirmou Musharraf no pronunciamento. ''Deixo meu futuro nas mãos do povo.''
O governo de coalizão é formado pelos dois grupos que saíram vitoriosos das eleições de fevereiro passado -o PPP (Partido Popular do Paquistão), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, morta em dezembro de 2007; e a PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz), liderada pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.
Poucas horas depois do anúncio da renúncia de Musharraf, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, emitiu um comunicado em que elogia o compromisso de Musharraf na luta contra o terrorismo e anunciou que o país continuará colaborando com o Paquistão.

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