Jerusalém O minigabinete israelense reunido ontem decidiu adiar uma eventual modificação do traçado da linha de separação que se está construindo na Cisjordânia, enquanto a Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia estudará o caso a 23 de fevereiro. ''É possível que sejam necessárias reflexões adicionais para mudar o traçado que permitirá reduzir o número de problemas ligados ao funcionamento do muro sem que afete a segurança'', afirmou o premier Ariel Sharon.
A Assembléia Geral das Nações Unidas pediu, em dezembro, à CIJ um parecer sobre ''as consequências legais da edificação do muro que Israel, potência ocupante, está construindo no território palestino ocupado''. Sharon advertiu que ''não haverá mudança do traçado que responda às exigências dos palestinos ou da ONU''. Segundo ele, somente será uma decisão de Israel.
''A experiência destes últimos meses com o trecho do muro construído é ao mesmo tempo positiva e negativa. Tem sido excelente para a prevenção do terrorismo, mas não é satisfatória para a qualidade de vida dos palestinos'', acrescentou Sharon, segundo o comunicado.
O premier também admitiu que a construção da barreira acarreta ''dificuldades legais'' em Israel. O Tribunal Supremo Israelense, a maior instância judicial do país, deve se pronunciar no final deste mês sobre a legalidade.
A procuradora do Estado, Edna Arbel, como conselheira jurídica provisória do governo, preconizou uma mudança do traçado do muro ao afirmar que terá dificuldades para defender a posição do governo ante a Corte Suprema.
Durante a reunião do minigabinete, o ministro da justiça Tommy Lapid propôs novamente um traçado alternativo.
O minigabinete também fixou as grandes linhas do dossiê que Israel vai apresentar à CIJ no final do mês. Neste documento, o Estado hebreu nega à Corte o direito de se pronunciar sobre a legalidade deste muro, ao mesmo tempo que afirma que ele tem um caráter ''defensivo contra o terrorismo'', acrescentou a rádio. Também adiou sua decisão sobre o eventual envio de uma delegação oficial israelense a Haia ou sobre um eventual boicote ao CIJ.

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