São Paulo - O magnata da mídia Rupert Murdoch negou saber da prática das escutas de seu tabloide News of the World. Murdoch disse ainda que tem mais de 3.000 pessoas trabalhando para ele em todo o mundo e que confia nelas para fazer seu melhor trabalho.
Murdoch e seu filho James foram ouvidos ontem no Comitê de Cultura, Mídia e Esportes da Câmara dos Comuns a respeito dos escândalos de escutas telefônicas ilegais envolvendo o seu grupo de mídia News Corporation, que controlava o tabloide britânico News of the World.
Questionado sobre quem mentiu a ele, já que a prática era aparentemente comum em seu tabloide, ele disse: ''Não sei. É isso que a polícia está investigando''. ''Os responsáveis são as pessoas em que confiei para que dirigissem o jornal'', disse Murdoch, questionado se era o responsável pelo ''fiasco'' dos grampos.
James reiterou o argumento do pai e disse que, em uma empresa global como o império News Corporation, é comum que decisões sejam tomadas por executivos-chefes sem passar por Murdoch.
Já questionado se sabe de outros métodos de investigação utilizados por seus jornais, Murdoch disse que ''todos os jornais usam investigadores'' e que ele não acha que seus jornalistas fizeram ilegalmente.
O legislador Tom Watson questionou ainda Murdoch sobre uma investigação civil envolvendo Neville Thurlbeck, ex-chefe de Redação do News of the World e suspeita de chantagem, dentro do escândalo de escutas ilegais. ''Nunca ouvi falar de Thurlbeck'', disse Murdoch, que, aos 80 anos, aparenta certa dificuldade de responder as perguntas.
Já no caso Milly Dowler, menina assassinada que teve suas mensagens de voz apagadas por um detetive, Murdoch disse que soube apenas há duas semanas. ''Eu fiquei absolutamente chocado e envergonhado pelo caso Milly Dowler [...] Oito dias depois eu fui graciosamente recebido pelos Dowlers'', disse Murdoch.
Um dos legisladores brincou com Murdoch, dizendo que seus executivos sofrem de ''amnésia coletiva''. Sem resposta, Murdoch apenas riu.
Diante de novas perguntas sobre as denúncias de escutas ilegais, James saiu em defesa do pai e pediu para responder as questões. ''Na qualidade de presidente-executivo do braço europeu da News Corporation, tenho maior proximidade com estas questões'', disse.
Os legisladores questionaram ainda porque a empresa não demitiu os envolvidos no escândalo. ''Muitos dos indivíduos envolvidos deixaram a empresa faz tempo'', defendeu-se James.

mockup