Mundo teme bomba atômica no Irã
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Siavosh Ghazi e Laurent Lozano<br>France Presse 
Siavosh Ghazi e Laurent Lozano
France Presse
Teerã - O Irã concluiu ontem a retirada dos lacres da usina de Ispahan (centro), em meio a um impasse entre a comunidade internacional reunida em Viena, que não chega a um consenso a respeito da resposta a ser dada à iniciativa iraniana de retomar suas atividades nucleares.
''Estamos retirando os lacres. A fábrica de conversão de Ispahan está totalmente operacional'', disse o vice-presidente da Organização Iraniana de Energia Atômica, Mohamed Saidi. ''Tudo se desenvolve sob o controle da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).''
Melissa Fleming, porta-voz da Aiea, organismo que na terça-feira iniciou em Viena uma reunião extraordinária para decidir uma resposta ao desafio iraniano, também confirmou à Agência France Presse (AFP) que ''os lacres estavam sendo retirados''. A partir de agora, a central de Ispahan poderá funcionar com plena capacidade.
Esta iniciativa, mesmo já sendo esperada, poderia complicar ainda mais a tarefa dos 35 membros do Conselho de governadores da Aiea, que já têm dificuldades para chegar a um acordo sobre uma resolução.
O órgão executivo deste organismo da ONU reuniu-se na terça-feira e tinha previsto um outro encontro para ontem à tarde, que depois foi cancelado, lembrou um porta-voz da Agência. A princípio, a reunião será realizada hoje.
Os diplomatas davam prosseguimento a intensas negociações a portas fechadas para resolver suas divergências.
Os ocidentais consideram que a conversão e enriquecimento de urânio no Irã representam um perigo já que, mesmo que estas atividades produzam combustível necessário para as centrais civis, também poderiam ser utilizadas para fins militares.
O reinício da conversão foi parcial até o momento. A parte mais sensível da fábrica, onde se produz o hexafluoreto de urânio (UF6), gás introduzido em centrífugas para a produção de urânio enriquecido, permanecia com os lacres da Aiea.
O Irã, com o objetivo de reduzir as suspeitas de uma possível fabricação de bombas atômicas, insistiu em que o reinício de qualquer atividade fosse acompanhado pela agência da ONU, que supervisiona o programa nuclear iraniano desde 2003.


