Ansa
De Genebra
O terremoto de 7,8 graus na escala de Richter (medida tomada nos EUA) que abalou a região nordeste da Turquia na madrugada de terça-feira pode ter provocado a morte de pelo menos 40 mil pessoas, declarou ontem o chefe do Departamento de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) para a Europa, Sergio Piazzi, em Genebra.
Segundo dados oficiais turcos, o número de mortos chegava ontem a 10 mil, o de feridos ultrapassava 30 mil e o do desaparecidos alcançava 35 mil.
O presidente turco, Suleyman Demirel, concorda com os números da ONU. ‘‘A tragédia de terça-feira pode ser maior do que a provocada pelo terremoto de 1939, que causou a morte de 32 mil pessoas em Erzinca’’, disse ele. ‘‘Há muita gente ainda sob toneladas de escombros de milhares de edifícios.’’
Só em Golcuk há – 150 quilômetros a oeste de Istambul –, segundo as autoridades locais, pelo menos 10 mil pessoas estão soterradas. ‘‘Não creio que estejam todas mortas’’, ressalvou o funcionário da ONU em Genebra.
‘‘A corrida contra o relógio terminou’’, lamentaram ontem socorristas internacionais, referindo-se ao tempo médio de resistência das pessoas soterradas nessas condições, fixados pelos médicos: 72 horas.
A situação é ainda mais grave em Izmit – cidade industrial de 2 milhões de habitantes, próxima de Golcuk, onde, segundo os sismólogos, ocorreu o epicentro do terremoto. Mais de 75 mil edifícios foram danificados e pelo menos 5 mil ruíram ou sofreram avarias irreparáveis. O número de corpos retirados dos escombros já passa de 3 mil. Há quase 10 mil feridos. As autoridades não têm cálculo sobre o número de desaparecidos, mas teme-se que seja muito superior ao registrado na vizinha Golcuk.
Os coveiros do cemitério de Izmit trabalham dia e noite sem parar.
Os grupos de resgate franceses, alemães, israelenses, britânicos e espanhois também realizam esforços sobre-humanos na busca de sobreviventes. Estão na área atingida pelo abalo 65 equipes internacionais, com cerca de 120 cães farejadores.Mas não dão conta da imensa tarefa, apesar dos equipamentos sofisticados. São ajudados por parentes de vítimas que não perdem a esperança. O trabalho é executado em meio ao intenso calor de agosto na região e forte odor.
Nesse clima, agravado pela falta de água e de um precário fornecimento de energia elétrica, as autoridades sanitárias temem a eclosão de epidemias, principalmente tifo. Equipes médicas iniciaram uma campanha de vacinação em massa da população.
Os coveiros de Adapazari, sudeste de Izmit, enterraram ontem 963 corpos em uma vala comum.
Izmit teve seu parque industrial praticamente arrasado pelo tremor. As autoridades turcas calculam que 8,5 mil indústrias desabaram ou ficaram seriamente danificadas em toda a região afetada pelo abalo.
A única boa notícia ontem em Izmit foi a de que os técnicos vindos do Canadá, Estados Unidos e Grécia conseguiram apagar o incêndio da Refinaria de Tabrus, a maior da Turquia. O fogo, irrompido segundos após a terremoto, destruiu sete grandes depósitos de petróleo e ameaçava alastrar-se aos armazéns de uma fábrica de adubos – onde estão depositadas 8 mil toneladas de amônia – com consequências catastróficas.Corrida contra relógio acabou segundo os especialistas em resgate. Ontem o prazo de sobrevivência sob escombros, 72 horas, teria se esgotado
France PresseBuscaEspecialistas de várias partes do mundo continuam o trabalho de localizar sobreviventes. No destaque, mulher é resgatada em Golkuk

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