Genebra Doadores, agências de ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU) e grupos de defesa concordaram ontem em unir esforços para ajudar o crescente número de crianças a maioria vivendo na África subsaariana órfãs por causa da Aids. Eles decidiram aumentar o apoio familiar e escolar a pelo menos 14 milhões de crianças que ficaram sem pais por causa da doença, conforme informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a OnuAids em uma declaração conjunta.
''O número de órfãos por causa da Aids deve chegar a pelo menos 25 milhões em 2010'', disse Peter Piot, chefe da OnuAids, a participantes de um encontro de dois dias em Genebra. Segundo a declaração, até 2001, 14 milhões de jovens perderam um ou os dois pais para a doença, com cerca de 80% dos casos ocorrendo na África subsaariana.
''A crise dos órfãos e de outras crianças que se tornaram vulneráveis por causa da HIV/Aids é maciça, crescente e de longo prazo'', alertou a diretora-executiva da Unicef, Carol Bellamy. ''Dois terços dos países duramente atingidos pela doença não têm estratégias para garantir que as crianças afetadas cresçam com o mínimo de proteção e cuidado'', continuou.
Cerca de 80 organizações discutiram uma estimativa da OnuAids de que seria necessário um bilhão de dólares para implementar o cuidado com os órfãos da Aids. De acordo com a Unicef e a OnuAids, mais de 29 milhões de pessoas na África subsaariana viviam com a doença no final de 2002.
Cerca de um terço destas têm idades entre 15 e 25 anos, enquanto quase três milhões têm menos de 15 anos. ''Nenhuma outra região foi atingida tão duramente pela HIV/Aids do que a África subsaariana, lar de cerca de três quartos da população mundial que vive com HIV/Aids'', continuou a declaração, que destacou que no ano passado pelo menos dois milhões de pessoas morreram na região vítimas da doença.

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