Mundo lamenta rejeição de tratado
Associated Press
De Londres
A Rússia acusou ontem os Estados Unidos de minar a estabilidade mundial com a derrota no Senado do CTBT, e a China, outro gigante nuclear, classificou a rejeição de profundamente preocupante. Em todo o mundo, nações acusaram Washington de estar enviando um sinal errado e perigoso.
A Índia sugeriu que pode adiar sua assinatura do tratado. E no Paquistão vizinho hostil da Índia e também uma potência nuclear líderes militares que deram um golpe de Estado há dois dias não tinham nada a dizer.
Mas um porta-voz da líder oposicionista paquistanesa Benazir Bhutto afirmou que agora é virtualmente certo que nem a Índia nem o Paquistão irão assinar o tratado. Todo país vai usar isso como desculpa para não assinar, acrescentou o líder oposicionista Naveed Qamar.
Em meio a temores generalizados, potências ocidentais apelaram ao Senado dos Estados Unidos para reconsiderar sua posição.
Essa decisão é um sério revés para a não-proliferação nuclear e o desarmamento. É um sinal errado que nós lamentamos profundamente, disse o ministro do Exterior alemão, Joschka Fischer, num comunicado conjunto com sua colega sueca, Anna Lindh, durante uma visita a Estocolmo.
Antes da votação de quarta-feira, a Alemanha havia se unido à Grã-Bretanha e França as duas únicas potências nucleares da Europa num apelo especial ao Senado para não rejeitar o Tratado Abrangente de Banimento de Testes Nucleares, que tornaria ilegal testes subterrâneos.
Os Estados Unidos são a primeira potência nuclear declarada a rejeitá-lo especificamente.
O tratado já foi assinado por 154 nações, incluindo os Estados Unidos, mas só foi ratificado até agora por 26 dos 44 países com capacidade nuclear que têm de aprová-lo para que ele entre em vigor.
A Grã-Bretanha já assinou e ratificou o tratado. A China e Rússia assinaram, mas não ratificaram, e a Índia, Paquistão e Coréia do Norte nem assinaram.
A China, mais contida que Moscou, afirmou que de qualquer forma iria acelerar seus esforços para ratificar o tratado e que continuará com uma auto-imposta moratória de testes nucleares.





