São Paulo - O mundo deve ganhar 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, atingindo sua população máxima no fim do século e começando a se estabilizar apenas no século 22. É o que prevê um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) lançado nesta segunda-feira (17), com projeções demográficas para o planeta até 2100.

Por volta de 2027, a Índia deve ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo
Por volta de 2027, a Índia deve ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo | Foto: Shutterstock

De acordo com o documento, a população mundial, que é de 7,7 bilhões na atualidade, continua crescendo, ainda que em um ritmo mais lento do que nunca desde 1950: a taxa, que atualmente é de 1,1% ao ano, deve chegar a 0,4% perto do fim do século. A previsão é que chegue a 9,7 bilhões em 2050 e a quase 11 bilhões em 2100.

O relatório, chamado World Population Prospects (Prospecções da População Mundial), é lançado a cada dois anos pela divisão de população da ONU e traz análises para 235 países e áreas, baseadas em informações de censos nacionais, pesquisas por amostragem e tendências históricas. São projeções, portanto, tendências demográficas que estão sujeitas a alterações, pois dependem de mudanças tecnológicas, avanços médicos, condições políticas e de costumes, que podem se alterar de forma imprevisível.

Para prever a população no fim do século, a ONU trabalha com três cenários: no de projeção alta, o mundo teria 15,6 bilhões de habitantes em 2100; no mais conservador, ficaria em 7,32 bilhões e, no médio - o mais provável de ocorrer -, chegaria a 10,8 bilhões. Na projeção anterior, em 2017, previa-se uma população de 11,18 bilhões em 2011 (ou seja, cerca de 300 milhões a mais do que se acredita agora).

"Essa diferença se deve principalmente a revisões em taxas de fecundidade recentes e esperadas no futuro em vários países maiores, como Bangladesh, República Democrática do Congo, Índia e Estados Unidos", disse Patrick Gerland, chefe da seção de estimativas e projeções de população da ONU. "Mudanças nesses países têm sido um pouco mais rápidas do que se acreditava."

De acordo com o novo relatório, metade dos novos habitantes do mundo até 2050 virá de apenas nove países, a maioria pobres ou em desenvolvimento: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Indonésia, Egito e EUA. Entre as grandes regiões, a África Subsaariana deve dobrar sua população nos próximos 30 anos, enquanto, na outra ponta, a Europa e a América do Norte terão aumento de apenas 2% de sua população, segundo as previsões. O crescimento previsto nesse mesmo período para a América Latina e o Caribe é de 18%.

Por volta de 2027, a Índia deve ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo - alguns anos depois do que se imaginava anteriormente.

"A taxa de fecundidade na Índia caiu um pouco mais rápido do que se imaginava, e a fecundidade na China cresceu mais do que o esperado por causa do fim da política do filho único e de alguns incentivos para a população ter mais filhos", afirmou o pesquisador e doutor em demografia José Eustáquio Alves, que analisou os dados. "Esse ranking vai mudar muito. Estão saindo os países mais desenvolvidos e começam a entrar os mais pobres, como a República Democrática do Congo, que vai crescer absurdamente, a Etiópia, a Tanzânia", observou.

Alves chama a atenção também o caso de Angola, que deve ter sua população multiplicada por 11 ao longo deste século – de 16,4 milhões para 188 milhões-, chegando ao 11º lugar no ranking, na frente do Brasil.

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