Arquivo/FolhaPerdasMadre Teresa recebeu a princesa Diana, em Nova York. Encontro emocionado pouco antes da morte das duasNormalmente, assim como feitos expressivos, tragédias, glórias e conquistas, todos os anos são marcados pela morte de algumas personalidades. Mas raramente acontece o que ocorreu, inclusive em curto espaço de tempo, neste 1997. Três personalidades marcantes se foram, duas das quais deixando marcas profundas pela ação e coragem evidenciada ao longo de suas vidas. A terceira, embora mais jovem, não só pelas trágicas circunstâncias de sua morte, mas também pelo que realizou nos derradeiros anos de sua vida - e até pelo brilho que conseguiu desde que se tornou a Princesa de Gales - também deixou uma profunda marca de tristeza ao morrer. E estas mortes, principalmente, deixaram o mundo mais pobre.
Logo no começo de agosto, a primeira perda, dura, principalmente para o Brasil. Herbert de Souza, o Betinho, que não apenas emocionou mas mobilizou o Brasil ao assumir com coragem e tenacidade campanhas contra a fome, não resistiu à doença que, durante anos, o consumia. Assim como o famoso irmão Henfil, Betinho foi vítima da AIDS. E é possível dizer que foi vítima duas vezes: primeiro porque contraiu o mal, como seus irmãos, em transfusão de sangue, necessária por ser portador de hemofilia. A segunda no início de agosto quando, afinal, não resistiu à doença e deixou milhões de brasileiros órfãos.
O que é verdadeiramente valioso, no caso, é que a morte de Betinho não marcou o fim de seu trabalho. Na verdade, como boa semente lançada sobre o solo fértil da boa alma nacional, a campanha de Betinho continuou e vai continuar. Neste fim de ano, milhares terão um Natal menos triste, graças à campanha que surgiu do esforço, da visão, do amor de Betinho. Entretanto, isto não descarta a tristeza deixada pela ausência da grande figura humana que se foi e que deixou uma funda marca na vida dos brasileiros.
Madre Teresa No mesmo mês em que Betinho morreu, aconteceu a chocante tragédia que levou a princesa Diana. E enquanto o mundo ainda participava das manifestações de dor pela morte da princesa, outra notícia atravessou o Planeta e procovou ainda mais dor: no começo de setembro, morria, na Índia, Madre Teresa de Calcutá, aos 87 anos.
Nascida na Albânia, um dos mais pobres países da Europa, vocacionada para a Igreja, Madre Teresa preferiu ir trabalhar em um lugar ainda mais miserável. Foi para a Índia e lá, notadamente em Calcutá, dedicou a vida aos ‘mais pobres entre os pobres’. Sua dedicação foi reconhecida pelo mundo, inclusive com o Nobel da Paz, talvez um dos mais merecidos Nobéis já outorgados ao longo da História. E a semente de sua dedicação também se multiplicou nos corações de muitos, de tal modo que a ordem que fundou tem, hoje, casas em vários pontos do mundo, sempre junto aos mais carentes.
Homenageada por Papas, presidentes, príncipes e reis, Madre Teresa manteve a humildade e o carinho pelos mais carentes por toda a vida. Doente, nos seus últimos anos, não abandonou seu apostolado. Morta, entristeceu a Índia e o mundo que ficou, sem dúvida, muito mais pobre com sua ausência. A comoção de sua morte, a emoção em seu enterro, as manifestações que ocorreram em todo o mundo foram um justo preito por alguém que marcou de modo fantástico sua passagem por esta Terra.

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