Istambul, Turquia - Em resposta ao chamado de um partido islâmico, milhares de pessoas se reuniram ontem em Istambul para participar de uma gigantesca manifestação contra a visita do Papa Bento XVI à Turquia, prevista para amanhã.
A multidão foi acompanhada por cerca de 4 mil policiais, que contavam com apoio de veículos blindados e caminhões de forças de choque. Segundo a polícia, eles estavam se preparando para uma multidão de 15 mil pessoas.
Os manifestantes gritavam ''Deus é grande'' e carregavam cartazes exigindo que o papa não vá ao país. O partido ainda colocou faixas pela cidade até o aeroporto, nas quais estava escrito ''Não à aliança com os cruzados'' e ''Que o papa não venha''.
''Nosso respeito por todas as religiões e por todos os representantes é infinito, mas não podemos ficar sem resposta diante daqueles cujas declarações vão contra nossas convicções'', declarou quarta-feira Osman Yumakogullari, presidente do SP em Istambul. ''Em setembro o Papa Bento XVI insultou o profeta Maomé. Segundo ele, o profeta trouxe coisas desumanas e satânicas'', acrescentou.
O SP assegurou ter fretado 2 mil ônibus para transportar os manifestantes a Caglayan, local do protesto, no lado europeu de Istambul.
Um cartaz com fotos de vítimas da Guerra do Iraque perguntava: ''Quem fez isto''?. No outro, podia-se ler ''Quem é o responsável do terrorismo? Estados Unidos, Israel e União Européia, ou o Iraque e os palestinos?''.
A visita do Papa à Turquia, de 28 de novembro a 1º de dezembro, é a primeira que ele fará a um país muçulmano, e é considerada de alto risco por causa de suas observações, feitas em setembro, relacionando o islamismo com a violência, o que desatou a cólera do mundo muçulmano.
O ponto forte da viagem do Papa à Turquia será seu encontro em Istambul com o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, representante espiritual dos ortodoxos (entre 125 a 180 milhões fiéis).
Doze mil policiais devem ser mobilizados em Istambul para a chegada do Papa. As autoridades prevêem ainda bloquear dois bairros no distrito onde Bento XVI se alojará.
A segurança do Papa durante sua viagem à Turquia mobilizará mais membros das forças de segurança do que a visita do presidente americano, George W. Bush, em 2004, afirmou o chanceler turco, Abdullah Gul, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, ontem.
O Papa Bento XVI enviou, ontem, ''cumprimentos cordiais'' ao povo turco, expressando-lhes sua ''sincera amizade'', durante a oração do Angelus no Vaticano.
''Queridos irmãos e irmãs, como sabem, viajarei nos próximos dias à Turquia. Desejo, desde já, enviar meus cumprimentos cordiais ao querido povo turco, cujas história e cultura são ricas; a este povo e a seus representantes, expresso meus sentimentos e estima e amizade sincera'', declarou o Papa durante sua homilia.

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