Mais de 100 mil fiéis muçulmanos rezaram na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, em meio a medidas de segurança, na primeira sexta-feira do mês de Ramadã, informou um porta-voz da polícia israelense.
‘‘Cento e quinze mil fiéis chegaram para rezar e se dispersaram sem incidentes’’, disse o comandante Schmuel Rubin, que assinalou a presença de membros da Autoridade Palestina na Esplanada.
A rádio pública israelense informou que agentes de segurança palestinos trabalharam para impedir problemas.
A oração aconteceu em clima de calma, apesar de algumas pedras terem sido lançadas contra policiais israelenses concentrados do lado de fora das muralhas da Cidade Velha.
Três mil policiais israelenses se concentraram na parte velha de Jerusalém, para enfrentar eventuais distúrbios durante o dia.
Por ocasião do Ramadã, o governo israelense decidiu suprimir as restrições de idade para os palestinos de Jerusalém Oriental e para os árabes israelenses que quiserem rezar na Esplanada. Desde o último mês de outubro, a polícia vinha proibindo os homens com menos de 35, 40 ou 45 anos de ir ao local nas sextas-feiras, para impedir que eles provocassem incidentes.
O acesso à Esplanada, onde está localizada a mesquita Al Aqsa (terceiro lugar sagrado do Islã, depois de Meca e Medina), continua proibido aos palestinos de Cisjordânia e Faixa de Gaza, devido ao bloqueio dos territórios pelo exército israelense.
Foi na Esplanada das Mesquitas que teve início, no último dia 28 de setembro, a nova Intifada. O motivo foi uma visita do líder da direita israelense Ariel Sharon, considerada pelos palestinos uma provocação.
Em um ano como este de 2000, quando as festividades de celebração do nascimento de Jesus Cristo estavam destinadas a ter um destaque particular, foram canceladas precisamente em Belém, a cidade natal do Messias, devido à situação de confronto entre palestinos e o exército israelense.
Símbolo das boas intenções ante a situação dramática que impera na cidade é um letreiro luminoso em que se lê ‘‘Feliz Natal’’, instalado em um edifício onde as janelas estão fechadas por tijolos e sacos de areia para proteger os moradores dos tiroteios.
Habitualmente, durante as festas de Natal, havia corais internacionais e orquestras de câmara que convergiam para Belém.
Este ano o programa de celebração foi reduzido ao mínimo devido aos choques, os mais violentos desde a assinatura dos acordos de Oslo em 1993.
A violência e o bloqueio dos territórios palestinos imposto pelo exército israelense prejudicaram todos os projetos. ‘‘Devido à situação, não é uma festa que nos espera’’, comentou com amargura.
Em sua loja de lembranças, Emile Michel não vende nada desde que começou a Intifada, há dois meses. Perto da Igreja da Natividade, construída há 1.600 anos no lugar onde a tradição diz que ficava a gruta onde nasceu Jesus, sentado em um banquinho, Emile espera poder vender seus objetos feitos com madeira de oliveira.

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