Multidão festeja centenário da rainha-mãe
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sexta-feira, 04 de agosto de 2000
Associated Press e France Presse De Londres 
Milhares de admiradores da rainha-mãe, que ganhou o amor e a admiração da maioria dos britânicos ao longo de um século turbulento, saíram ontem às ruas de Londres para homenageá-la em seu centésimo aniversário.
Vestida de azul e sentada junto a seu neto mais velho, o príncipe Charles, a rainha-mãe saudou a todos enquanto passava em uma carruagem aberta, puxada por quatro cavalos brancos e decorada com centenas de flores, a caminho do Palácio de Buckingham.
O trajeto, que teve como ponto de partida a Clarence House (sua residência oficial), foi o mesmo que ela vem percorrendo nos últimos 77 anos, sempre cumprindo com suas obrigações protocolares, tanto na guerra como na paz, como rainha consorte do rei George VI e como mãe da rainha Elizabeth II.
Quando a carruagem atravessou os portões do Palácio de Buckingham, a rainha-mãe foi saudada com uma salva de 41 tiros de canhões. Juntamente com suas filhas, a rainha Elizabeth II e a princesa Margaret, e outros parentes, ela apareceu em uma das sacadas do Palácio de Buckingham para saudar as pessoas.
Embora quase nunca tenha feito declarações públicas, a facilidade de se relacionar com pessoas comuns é um dos segredos do carisma da rainha-mãe. Ela ganhou o afeto de seu povo particularmente durante a Segunda Guerra Mundial, quando viajou, juntamente com seu marido, por boa parte da Grã-Bretanha, em uma verdadeira cruzada para levantar a moral da nação.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, falou ontem do extraordinário sentido de dever e de obrigação para com os demais da rainha-mãe. Em uma entrevista pela televisão, ele afirmou: É por isso que não apenas festejamos o aniversário de uma pessoa muito especial em termos de realeza, mas também honramos alguém que tem sido um grande exemplo para todos nós.
Por sua parte, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou uma mensagem - entre as milhares que vêm chegando à Clarence House - na qual afirma, recordando os tempos de guerra, que os russos têm em alta estima sua bondosa atitude para com esta nação (...).
A presença da rainha-mãe no Palácio de Buckingham rememorou as célebres páginas da história britânica. Elizabeth saudou a multidão do mesmo balcão como fizera depois da vitória de 1945.
O príncipe Charles foi sistematicamente associado às cerimônias em homenagem à rainha-mãe, como se esta, de grande reputação e especialista em mídia, quisesse que desfrutasse um pouco de sua popularidade.
A rainha-mãe, apresentada pela imprensa conservadora como a avó predileta do país, não foi afetada pela falta de carinho que a população professa aos restantes membros da família real, cuja existência é considerada benéfica por 44% dos britânicos.
Mas a ministra da coordenação do governo, Mo Mowlam, foi menos complacente e pediu um debate público sobre a instauração de uma República, expressando o desejo da ala esquerda do Partido Trabalhista.
A ministra, que já manifestou em julho que a rainha mudasse de residência e deixasse o palácio aos turistas, não se declarou abertamente partidária de uma República, mas estimou que seria conveniente a realização de um debate público tendo a mídia como intermediária.


