Multidão acompanha funeral de Mandela
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
France Presse 
Soweto - "Viva Tata Madiba, viva!", gritavam os sul-africanos que caminhavam, corriam e cantavam apesar da forte chuva que caiu sobre a cidade de Joanesburgo, em direção ao estádio de Soweto (também conhecido como Soccer City), determinados a homenagear o Tata (Pai) Nelson Mandela. "Se ele foi capaz de ficar atrás das grades por 27 anos por nós, o que é um dia de chuva forte?", refletiu Musa Mbele. Milhares de pessoas usaram o serviço de trem grátis que foi oferecido para chegarem do centro de Joanesburgo até o estádio, misturando-se com animação nas plataformas de embarque e nos compartimentos do trem - homens e mulheres de todas as idades e raças.
"Estou indo para o memorial para me sentir mais perto do espírito nacional, para sair da minha bolha", disse o africâner branco Marcel Boezaart, de 26 anos. Uma nação jovem e ainda marcada por vários problemas se despede com alegria do seu precioso herói, ex-presidente e fundador de uma sociedade livre do apartheid. "Eu nasci livre", disse a estudante de engenharia de 19 anos Luyanda, com um grande sorriso. "Nos primeiros dias após a morte de Mandela, eu chorei, mas hoje é um dia de celebração", completou.
Os sul-africanos começaram a se reunir antes do amanhecer para garantir um lugar no estádio e se juntar aos cerca de 100 chefes de Estado e de governo que vieram prestar homenagens à vida e ao legado de Mandela. No começo do dia, a cerca de 70 quilômetros dali, na base aérea de Waterkloof, aviões traziam os líderes mundiais da China, Alemanha, Brasil e de todas as partes do mundo. Enquanto as arquibancadas do estádio se enchiam, a estrutura física parecia se mover como uma onda. A multidão batia os pés e dançava em unidade, numa "ola" gigante. "Isto só acontece uma vez na vida. Isto é história e eu não queria assistir pela TV ", disse Noma Kova, de 36. As pessoas cantavam canções folclóricas, religiosas e, principalmente, as músicas que marcaram a luta que Mandela liderou.
Muitas das dezenas de milhares de pessoas que estavam no Soccer City viveram os horrores de Soweto, Sharpesville e Boipatong, ou passaram por humilhações cruéis, como a obrigação de usarem banheiros separados e a necessidade de pedirem autorização para ir de um bairro para outro, o "passe". "Eu morava na rua principal de Soweto e lembro-me que, em 1976, vi estudantes caindo como moscas nas ruas, enquanto corríamos e tentávamos nos esquivar dos disparos", disse o empresário Jabu Maseko, de 54. Muitos no estádio estavam envoltos na bandeira sul-africana ou em xales verde-amarelos (cores que representam o país), onde estava impresso o slogan "Mandela para sempre" e o retrato do herói da luta contra o apartheid. "Hoje o ciclo se completa. Precisamos deixá-lo ir em paz. Hoje é um dia de celebração, e em nossa cultura há sempre alguém cantando, seja quando uma criança nasce ou quando alguém morre. Choramos, mas também cantamos", disse Dudu Manala, de 49 , membro do coro Imilonjikantu de Soweto, que cantou na posse de Mandela como presidente, em 1994.


