Multidão acompanha enterro de filha de ex-presidente
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
Folhapress 
São Paulo- Milhares de pessoas acompanharam hoje, em Assunção (capital do Paraguai), o velório e enterro de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas, cujo corpo foi encontrado na quarta-feira. O sequestro de Cecilia que durou 148 dias e foi o mais longo da história do Paraguai comoveu o país.
''Durante o enterro, a multidão gritava palavras de ordem como ''justiça'', e pedia a renúncia de integrantes do governo do presidente Nicanor Duarte Frutos e uma completa reestruturação das forças de segurança. A filha do ex-presidente foi sequestrada em setembro a duas quadras de casa por dois homens armados. Desde então, policiais faziam uma grande operação de busca na tentativa de encontrá-la.
Em novembro do ano passado, a família de Cecilia chegou a pagar resgate por sua libertação, mas os sequestradores afirmaram que o valor pago representava apenas uma ''multa'', não um valor de resgate. A partir daí, não houve mais contato com a família. O corpo da jovem, que completou 32 anos no cativeiro, foi encontrado dentro de um buraco coberto com mistura de cal e areia numa residência nas redondezas de Assunção.
Durante a investigação, a polícia paraguaia prendeu vários suspeitos de terem realizado o sequestro, incluindo o líder do partido de oposição Pátria Livre, Osmar Martinez, suspeito de manter ligações com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Na segunda-feira, o procurador-geral do Estado, Oscar Latorre, afirmou que o governo paraguaio tinha evidências de que Martinez mantém contatos com representantes das Farc. Apesar disso, o governo paraguaio não confirmou se a guerrilha colombiana está envolvida no sequestro.
Organizações sociais convocaram um ato de repúdio contra a violência na Catedral de Assunção no final do dia.
Após o desfecho do sequestro da filha de Cubas, que foi presidente Paraguai durante oito meses -entre agosto de 1998 e março de 1999- quando renunciou em meio a uma crise política, o chefe de Polícia Federal do Paraguai, Carlos Zelaya, pediu demissão hoje.
Em seguida, o ministro paraguaio do Interior, Nelson Mora, também disse que entregaria seu cargo caso isso lhe fosse solicitado pelo atual presidente do país, Nicanor Duarte Frutos. Pouco mais de uma semana atrás, Mora havia feito declarações afirmando que as forças de segurança paraguaias estavam próximas de encontrar Cecilia, ainda com vida.


