Mulheres são indicadas ao governo do Irã
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domingo, 16 de agosto de 2009
Folhapress 
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, adiantou ontem a composição de seu futuro gabinete, no qual haverá pelo menos duas mulheres. Se aprovadas pelo Parlamento, elas serão as primeiras ministras no país em 30 anos. O presidente tomou posse no último dia 5, após ser reeleito em 12 de junho em primeiro turno, um resultado contestado como fraudulento nas maiores manifestações de rua desde a Revolução Islâmica, em 1979.
Em entrevista à televisão pública, o presidente ultraconservador explicou que trabalha ''duro'' há um mês em seu gabinete e prevê apresentar sua composição definitiva na quarta-feira ao Parlamento para que seja aprovada.
Pela Constituição iraniana, a composição do gabinete deve ser aprovada pelo Parlamento, que pediu ao presidente que escolha pessoas com experiência.
Ahmadinejad revelou que o parlamentar Fatemeh Ajorlu é sua opção para dirigir o Ministério de Bem-estar e Seguridade Social, e a ex-deputada Marzieh Vahid Dastgerdi liderará o Ministério da Saúde.
Ele também deixou em aberto a possibilidade de que uma terceira mulher possa fazer parte do novo Executivo.
O gabinete do Irã tem 21 ministros e 12 vice-presidentes. Ahmadinejad tem atualmente uma mulher como um dos vice-presidentes, que está a cargo do meio-ambiente. A última ministra do país, Farrokhroo Parsay, atuou de 1968 a 1977. Ela foi executada sob a acusação de corrupção depois da Revolução Islâmica, que levou ao poder o regime clerical islâmico.
Há alguns dias a agência de notícias iraniana Isna informou que 202 dos 290 deputados que formam a Câmara assinaram uma carta na qual pediram a Ahmadinejad um gabinete qualificado. O próprio presidente do Parlamento, Ali Larijani, se uniu ao pedido. ''O ministério não é um lugar para aprender. Os ministros devem ter passado por certas fases'', disse Larijani, citando pela televisão estatal PressTV.
Apesar da pressão de grande parte do campo conservador, o presidente anunciou os ministros sem consultar o Parlamento com antecedência. A escolha do gabinete é o primeiro teste do governo de Ahmadinejad após a segunda posse.
Apesar de contar com uma maioria conservadora no Parlamento, o presidente enfrentou resistências ainda antes de assumir o novo mandato ao apontar como vice-presidente Esfandiar Rahim Mashaie, pai da mulher de um de seus filhos.
Em um aparente desafio à autoridade do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei - que comanda as Forças Armadas e tem a última palavra em qualquer tema sobre o qual resolver se pronunciar - Ahmadinejad demorou uma semana antes de obedecer a uma ordem dele para tirar Mashaie do cargo.


